Eu conheci José (Zé) Bizarria Coelho desde a minha adolescência quando ele, já viúvo, residia vizinho à nossa casa, na Rua 13 de Maio. Solícito, amigo dos meus pais, sempre nos cumprimentava pela manhã, quando saía para o Cartório, localizado na Rua Ten. Sabino, atual Calçadão, nas proximidades do Hotel Oriente.

Quase sempre ia a pé, pois a sua velha motocicleta vivia emperrada e, creio, para ele era motivo de satisfação consertá-la. Talvez daí tenha vindo o costume dos filhos Juracy (Ju) e Adalmir optarem, mais adiante, pelo uso de uma Vespa, igual àquela que eu possuía.

ENGENHEIRO JOSÉ FRANCISCO COÊLHO SOBRINHO E FILHOS

O pai de Zé Coelho, Engenheiro Dr. José Francisco Coelho Sobrinho, chegou a Cajazeiras, advindo de seu Estado, a Bahia, em dezembro de 1915, nomeado que fora como chefe da Comissão Construtora do Açude de Cajazeiras, nosso bem amado Açude Grande.

Aqui aportou com a esposa e seus filhos Mário (BB), Eduardo, Alice, Angélica, José (Zé) Coelho e  Raymunda (Mundinha), que, em 1930, venceu um concurso local semelhante aos concursos de Miss. Fixou residência definitiva no casarão ainda existente no inicio da rua que havia sido chamada de Rua da Matança, Rua Cel. Vital e, finalmente, Rua Dr. Coelho Sobrinho, numa homenagem póstuma que lhe foi feita, anos depois, pela Câmara Municipal. Em permanecendo em Cajazeiras, dedicou-se à construção de açudes e estradas em toda a região.

O nosso perfilado, Zé Coelho, portanto, aqui chegou ainda criança. Em Cajazeiras, contraiu núpcias com Raimunda Nobre Coelho (Mundinha), falecida em 22 de junho de 1950, filha de João de Oliveira e Silva (conhecido como João Menino) e Maria das Dores Nobre.

Ela era irmã de Francisca Borborema, conhecida popularmente como dona Nenzinha, esposa de Leopoldo Borborema, proprietários do suntuoso Hotel Oriente, administrado pelo casal e seu filho Leymar Borborema. Posteriormente, João Menino mudou-se para Campina Grande, ali instalando um hotel, na Rua Maciel Pinheiro, e que servia de pousada/parada de passageiros dos ônibus que faziam a linha Cajazeiras/Campina Grande, nos tempos em que a Rainha da Borborema ainda não possuía a sua Estação Rodoviária.

Zé Coelho, cioso de suas responsabilidades cartoriais e sociais, mesmo depois de enviuvar, soube encaminhar sua prole nos caminhos tortuosos e difíceis da vida. Dentre seus filhos, lembramo-nos de Alberto que, em época de férias, tornava-se exímio jogador de pingue-pongue junto com o seu amigo Edgley Maciel, nos tradicionais salões da antiga Ação Católica.

Alberto, estudante da Aeronáutica, em Fortaleza, pôs termo à vida em uma trágica brincadeira de “roleta russa”; Roberto, que logo cedo se engajou na Marinha do Brasil, no Rio de Janeiro, hoje gozando a aposentadoria; Humberto, muito conhecido nas rodas dos seus amigos que faziam o bloco dos “penetras”, vive placidamente no sítio Azevém; Juraci, o nosso amigo Ju Coelho, que tocou pra frente o Cartório de Registro Civil, que lhe foi passado pelo pai; Luís Carlos, aposentado do Banco do Brasil, com uma passagem burocrática pelo TG 243/CJZ; Angélica, competente cerimonialista da Prefeitura Municipal de Cajazeiras;  e Adalmir, herdeiro dos hábitos motociclistas do seu pai e que  teve, juntamente com o filho Bruno, um fim trágico, em um acidente automobilístico.

Reverenciamos a memória de José Bizarria Coelho, ovacionado como um dos mais assíduos, exímios e competentes dançarinos que já passou pelos salões do Cajazeiras Tênis Clube, o bom baiano que, já se tendo ido há cerca de trinta anos, continua sendo um admirado pelos seus contemporâneos.

(Para os mais curiosos: não conseguimos chegar ao sobrenome Bizarria, possivelmente, advindo de progenitores mais antigos).

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