Uma família tradicional

A COLUNA DE FRANCELINO SOARES

Ainda adolescente, veio estudar em Cajazeiras, no Colégio Salesiano Padre Rolim,  advindo do sitio Pilões, município de Pombal. Em aqui chegando, foi se firmando como autêntico cajazeirado. A nossa cidade o acolheu, e ele aqui se consolidou, fez comércio, casou-se, constituiu sua família. Poucos o chamavam pelo pomposo nome de origem francesa – Chateaubriand Pereira. Para todos, esposa, filhos, amigos e clientes, ele era simplesmente Seu Chatô.

Ainda jovem, afeiçoou-se a Naíde Ribeiro Pereira, aluna do Colégio N. S. de Lourdes, na época chamado apenas de Colégio das Doroteias, onde ela concluiu o então Curso Normal, tornando-se professora. Os primeiros olhares entre Chatô e Naíde foram trocados no tradicional passeio do “quem-me-quer”, como era chamado o “vai-e-volta” na Praça (Avenida) Presidente João Pessoa. Eram comuns esses “desfiles” das jovens casamenteiras, que iam da calçada do Cine Éden até a loja de Carvalho Dutra, sobretudo nas noites dos sábados e domingos. As jovens desfilavam, e os jovens, à beira da calçada, insinuavam-se para elas que, em troca, jogavam seu charme e sua beleza.

Naíde era filha de José Ribeiro Campos e Maria Cavalcanti Ribeiro, e irmã de João Ribeiro Campos, bastante conhecido na cidade como Juca Ribeiro, que veio a ser o pai da professora Zélia Ribeiro, braço direito de Zé Cavalcanti na direção da querida DRC – Difusora Rádio Cajazeiras. Rosa Lira Ribeiro era a mãe da amiga Zélia. Diga-se, de passagem, que Juca Ribeiro também se firmou no comércio citadino com a manutenção de uma bodega. O casal residiu por muito tempo na Rua Epifânio Sobreira.

Voltando ao nosso perfilado de hoje – Seu Chatô – este, após “ganhar o coração” de Naíde, com ela contraiu matrimônio em 14 de abril de 1936, data, como outras mais, bem guardada pela filha Iclea, hoje uma espécie de guardiã da memória dos acontecimentos e das datas que envolveram a sua família.

Não se há de dizer que os primeiros anos foram difíceis, exatamente porque Chatô, certamente, trazia herança de família, já que seu pai era um comerciante de mão cheia, afeito ao trabalho. Assim é que o filho, logo cedo, recém-casado, tratou de cultivar um sítio, que virou fazenda, nas cercanias de Cajazeiras.

Em paralelo, na cidade, se estabeleceu com uma mercearia (já citei que se chamava “bodega”), que ficava situada na Rua Padre José Tomaz. Já, nas proximidades de sua casa – que ficava na esquina da referida rua com a Rua Felismino Coelho, com a bela visão fronteiriça do Prédio de São Vicente, residência depois adquirida pelo conhecido Zé Capitão – Seu Chatô, diversificando seu tino comercial, estabeleceu-se com uma casa destinada à venda de material de construção: cal, madeiras e similares.

Enquanto isso, Dona Naíde, já formada, não chegou a lecionar, pois, para o marido, o ideal era que ela supervisionasse a prole que ia se constituindo: tarefa de mãe, dona de casa e habilidosa costureira a cuidar das roupas dos filhos… Só esporadicamente é que ela comparecia ao ambiente de trabalho do marido, no entanto cuidava de supervisionar, em casa mesmo, a contabilidade dos negócios, junto com a ativa filha Iclea.

Como o negócio de madeiras, depois da serragem destas, adveio a ideia de aproveitar o pó de serra para colocar uma fábrica de gelo, que prosperou a todo vapor. Esse era o processo de conservar o gelo, antes da chegada do isopor. Aliás, daí é que nasceu a ideia da futura Sorveteria Trianon, que será objeto de nossa próxima Coluna.

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