Shazam! (O grito de Mosquito)

Gaiatice, fuleiragem e o mais puro espírito de cajazeirabilidade

Certa noite chovia bastante em Cajazeiras. O penetra Mosquito sai de casa vestido com uma capa grossa, completamente nu por baixo, em direção ao Cine Cruzeiro, de Eutrópio Cartaxo, situado na Rua Dr. Coêlho, a fim de assistir a mais um grande filme.

Lá chegando, encontra o cinema lotado. O filme, como sempre, ruim que nem limão azedo. O Penetra, sentado em uma cadeira, quieto, aguardava o momento oportuno para mais uma presepada.

Quando filme começa, a plateia percebe que a fita, além de velha, era antiga e sem graça; apenas o nome do filme suscitou interesse e curiosidade em todos. Vaias e palavrões chamaram a atenção de Seu Eutrópio, que estava na sala de projeção no primeiro andar, cujo acesso era feito através de uma escada.

No alvoroço, alguém gritou:

– Tira a escada!

A escada era objeto de preocupação do proprietário, que foi vítima de uma queda anteriormente. Ele se preocupava em mantê-la no lugar, a fim de evitar outro descuido. A famosa escada de madeira era muito importante para Seu Eutrópio, que a utilizava para subir e descer várias vezes durante as sessões.

Aproveitando a confusão, de repente o penetra Mosquito levanta-se da cadeira, sobe até o palco e, para surpresa de todos, se mete na frente do filme, abre a capa que vestia e em voz alta, diz:

– Shazam!

Foi um Deus nos acuda. O cinema quase veio abaixo com tantas gargalhadas. A esculhambação e a algazarra aumentaram ainda mais. E Seu Eutrópio, da sala de projeção, pelo buraco da parede, assistia a tudo e sem chance de fazer nada, balançava a cabela, desolado…

FONTE:

LIVRO ‘OS PENETRAS’, DE JOSÉ MIGUEL LEITE JÚNIOR

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