Senador Pompeu e Cajazeiras

A COLUNA DE FRANCISCO SALES CARTAXO ROLIM

Senador Pompeu, que é nome de rua em Fortaleza e de cidade, teve significativa atuação na imprensa, no parlamento, na política. Seu nome aparece nos primórdios da Estrada de Ferro de Baturité. Intelectual, publicou livros de geografia e outros assuntos. Foi peça chave do jornal O Cearense. Sua brilhante passagem pelo Senado do Império o ligou à história de Cajazeiras, quando nossa terra era uma “insignificante freguesia”, segundo suas palavras.

Tomaz Pompeu de Sousa Brasil, o primeiro com esse nome, nasceu em Santa Quitéria, em 6 de junho de 1818. Estudou no Seminário de Olinda e, ao mesmo tempo, na Academia de Olinda. No primeiro, ordenou-se sacerdote em 1841 e, em 1843, concluiu o curso de ciências jurídicas e sociais. Logo em seguida, foi o primeiro diretor do Liceu Cearense e abraçou a carreira política. Deputado geral pelo Ceará, chefiou o Partido Liberal em sua província e, a partir de 1864, tornou-se senador até sua morte, em 2 de setembro de 1877. Tomaz Pompeu de Sousa Brasil viveu, maritalmente, com Felismina Carolina Filgueiras, e tiveram quatro filhos, grande descendência, incluindo figuras de realce na sociedade brasileira.

Em Olinda, Tomaz Pompeu foi contemporâneo de Manoel de Sousa Rolim, o primeiro advogado cajazeirense. Não é essa, porém, sua ligação maior com nossa terra. Senador Pompeu vincula-se à história em Cajazeiras, em função do morticínio eleitoral de 18 de agosto de 1872, no qual foi morto o tenente João Cartaxo. Ele acompanhou o desdobramento do trágico embate político, na qualidade de prócer do Partido Liberal. Nove meses depois, senador Pompeu narrou os fatos ocorridos na vila de Cajazeiras, em longo pronunciamento da tribuna do senado.

Senador Pompeu não se limitou a expor a versão do seu partido acerca do massacre de Cajazeiras. Foi mais longe. Ele fez a leitura de documentos fundamentais para nossa histórica. Documentos esquecidos – ou talvez desconhecidos – por todos os que escreveram sobre aquele episódio. Senador Pompeu afirma, por exemplo, “que os conservadores e liberais da vila de Cajazeiras tinham acordado em fazerem quatro eleitores dos dois partidos, com ânimo de votarem a chapa do governo”. E comprova a afirmativa com a leitura de “peças, que aqui tenho e me foram remetidas da Parahyba”.

Entre essas “peças”, figura longa exposição, datada de 18 de agosto de 1872, encaminhada ao presidente da província da Paraíba, responsabilizando pelo sangrento embate o alferes João Pires Ferreira e o tenente João Torquato de Figueiredo. Quem assina aquele documento? Cerca de 100 pessoas! Quase todas as lideranças da vila de Cajazeiras. Liberais e conservadores! Lá está, por exemplo, o nome de Claudino Dantas de Oliveira, 1º suplente de delegado, genro de João Franco de Albuquerque, chefe do Partido Conservador, e presidente da Câmara Municipal, à época, equivalente ao cargo de prefeito municipal.

João Franco não assina aquela representação, no entanto, em 15 de outubro de 1872, encaminha ofício ao presidente da província, firmado por ele pelos demais vereadores, acusando João Pires e João Torquato de autores do massacre de agosto e recriminando o primeiro por causar intranquilidade na freguesia de São José de Piranhas e em Santa Fé.

Quem forneceu tantos documentos ao senador Pompeu? O ex-juiz municipal de Cajazeiras, ex-deputado provincial na Paraíba, o bacharel Antônio Joaquim do Couto Cartaxo, meu patrono na Academia Cajazeirense de Artes e Letras.

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