Rua Padre Rolim

Eu conheço cada palmo desse chão

A Rua Padre Rolim, popularmente também chamada de “Rua Grande”, começou a ser edificada em meados do século XIX, com a expansão urbana da cidade, no seu prolongamento em direção ao leste. Desde o seu início, já se prenunciava como uma das mais importantes ruas cajazeirenses, com as patriarcais residências das mais destacadas famílias da localidade. Começou a se formar com a construção da mansão do Comandante Vital, nas proximidades da capela de Nossa Senhora da Piedade. Até o final daquele século, já se estendia até às margens do Riacho das Velhas, detida ali, por muito tempo, até o final daquele século, pelas periódicas inundações daquele pequeno curso d’água que dificultava a passagem para o lado oposto, onde se estendia o matagal que ia até o sítio Cocodé.

Além das residências das famílias mais abastadas da cidade, foi edificado ali, o prédio da municipalidade, a Casa da Câmara, como se denominava então, cuja construção foi iniciada na década de sessenta, daquele século, arrastando-se, lentamente, por mais de quarenta anos, até sua conclusão final pelo Prefeito Sabino Gonçalves Rolim, por volta de 1915. Naquele prédio, centralizou-se a vida social da cidade, com os seus saraus dançantes, sessões cívico-literárias e encenações de peças teatrais, além das sessões do júri e funcionamento de órgãos municipais, através das providências tomadas pela Câmara Municipal, até a criação do cargo executivo de Prefeito, em 1895.

Nessa rua, D. Moisés Coelho instalou o Palácio Episcopal, num casarão que formava esquina com a Rua Francisco Bezerra. Mais à frente, no fecundo episcopado de D. João da Mata, foi construído o moderno edifício da Ação Católica, que depois abrigaria a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Diocese de Cajazeiras. Essa artéria abrigou duas tradicionais escolas da cidade: uma, para o sexo masculino, sob a proficiência do Professor Crispim Coelho; outra, para o sexo feminino, confiada à competência da Professora Vitória Bezerra. Nessa via, também esteve instalada a repartição dos Correios e Telégrafos, no local onde hoje funciona  a Escola Técnica de Comércio Monsenhor Constantino Vieira.

A construção de um pequeno pontilhão sobre o Riacho das Velhas, numa realização do Prefeito Hildebrando Leal, possibilitou a urbanização daquele trecho da cidade. Essa providência administrativa se estendeu, posteriormente, na gestão do Prefeito Epitácio Leite Rolim, beneficiando, consideravelmente, a rua Padre Rolim, no trecho do seu cruzamento com o chamado Riacho das Velhas. Para aquele empreendimento de alta significação para o sistema viário da cidade, foram aplicados recursos financeiros do governo da União, obtidos pelo cajazeirense Edme Tavares, então, Deputado da bancada paraibana no Congresso Nacional.

Nessa artéria foi instalada a Biblioteca Pública Municipal “Doutor Castro Pinto”, criada pelo Prefeito Heronides da Silva Ramos, através do Decreto-Lei nº 20, datado de 23 de fevereiro de 1945, passando a funcionar, posteriormente, na mesma avenida, nas proximidades da Praça Dom João da Mata, em prédio construído pelo Prefeito Antônio Quirino de Moura, dotado de novas e modernas instalações, com salão para exposição de artes, auditório, salas de leitura, jardim interno, além de dependências para o acervo bibliográfico, gabinete da Direção, secretaria e outros órgãos essenciais à sua administração.

Em frente à chamada Praça do Congresso, residiu a família de Sabino de Souza Assis, no velho casarão do Instituto São Luiz, onde o jovem cajazeirense Inácio Assis, levou a efeito as suas revolucionárias experiências relacionadas com a transmissão de energia elétrica, através das ondas hertzianas que alcançaram espaço nos principais jornais do país, com repercussão nos meios científicos das metrópoles sulistas. Mais à frente, está localizado o antigo palacete residencial do Coronel Joaquim de Souza Peba Rolim, a quem Cajazeiras tanto deve na renovação da sua paisagem urbana.

A Rua Padre Rolim se estende da Igreja Nossa Senhora de Fátima até à Rua 26 de julho, já nas proximidades da estação ferroviária da Rede Viação Cearense. Na sua parte mais antiga, em 1890, contava com vinte e oito prédios e tinha o sugestivo nome de Rua da Aurora, mas os cajazeirenses, empolgados com o aspecto que ela oferecia, resolveram chamá-la de Rua Grande, recebendo, depois, a denominação de Rua Comandante Vidal, numa justificada homenagem ao seu criador. Posteriormente, passou a ter a sua atual denominação de Rua Padre Rolim. A sua pavimentação, a paralelepípedo, foi uma realização do Prefeito Joaquim Matos Rolim.

O Padre Inácio de Souza Rolim nasceu no sítio Serrote, a 22 de agosto de 1800. Filho de Vital de Souza Rolim, o fundador de Cajazeiras, e Ana Francisca de Albuquerque, foi ordenado sacerdote em Olinda, no ano de 1825. Após exercer atividades no Seminário de Olinda, como professor e reitor, retornou a Cajazeiras, para se dedicar ao seu apostolado, com a fundação do colégio que granjeou renome  nos sertões paraibanos. Foi professor de grego do Ginásio Pernambucano, em Recife, e mereceu a distinção imperial com o agraciamento das comendas da Ordem da rosa e da Ordem de Cristo. Publicou uma gramática grega e um compêndio de história natural. Faleceu em Cajazeiras a 16 de setembro de 1899.

DO LIVRO ‘RUAS DE CAJAZEIRAS’, DE DEUSDEDIT LEITÃO

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