Rua Padre José Tomaz

Eu conheço cada palmo desse chão

COISAS DE CAJAZEIRAS
RUA PADRE JOSÉ TOMAZ EM SETEMBRO DE 2018 / FOTO: CHRISTIANO MOURA

Já houve quem dissesse que a Rua Padre José Tomaz se formara à margem de um caminho que dava à cidade, daí a explicação da sua sinuosidade. Ela, em toda a sua extensão vai da Rua Padre Rolim até à Rua Engenheiro Carlos Pires de Sá, no Bairro das Capoeiras. O trecho que atualmente lhe dá mais movimento tinha, inicialmente, a denominação de Rua do Comércio e, mais à frente, após a Praça do Coração de Jesus, era conhecida como Rua do Coração de Maria, visto ocupar o trecho que dava acesso ao Cemitério do Coração de Maria.

A Rua do Comércio que correspondia ao quarteirão que defrontava com o Mercado Público contava, em 1890, com apenas oito prédios, todos eles destinados à atividade comercial. O trecho denominado de Rua do Coração de Jesus tinha dez casas e a Rua Coração de Maria, pequenos prédios residenciais, perfazendo o total de trinta e duas casas.

Essa denominação era quase toda de inspiração popular, sem nenhuma ingerência do poder público municipal. Só, no início do século passado, a edilidade começou a se preocupar com a denominação de logradouros públicos, numerando os prédios neles existentes. Vem dessa época a denominação da rua Padre José Tomaz que era, já àquele tempo, uma das artérias mais movimentadas da cidade, pela sua localização no trecho de maior atividade. Foi calçada, a paralelepípedo, pelo Prefeito Joaquim Gonçalves de Matos Rolim. Na administração do Prefeito Francisco Matias Rolim, ganhou pavimentação asfáltica.

 

O Padre José Tomaz de Albuquerque era cajazeirense e sobrinho do Padre Rolim, de quem foi um dedicado substituto, na direção do seu tradicional colégio. Nascido em 1828, foi o primeiro Vigário de Cajazeiras e primeiro Administrador Municipal como Presidente da Câmara, de acordo com a velha organização do Império. A ele se atribui o mérito de ter construído o antigo Paço Municipal que, por muito tempo, serviu de sede à Prefeitura Municipal. Ao deixar a sua cidade, dedicou-se ao apostolado das missões como renomado orador sacro, e deu início ao gigantesco templo do Pequeno Grande, em Fortaleza, Ceará. Foi vigário de Tianguá, também no Ceará e percorreu os seringais do Amazonas em sua pregação religiosa. Atribuiu-se a ele a mudança do nome da antiga povoação de Cágado, no Ceará, que passou a ter a denominação de Caridade, nome que ainda se conserva. Faleceu, em Fortaleza, a 20 de fevereiro de 1894. Por ocasião do transcurso do seu falecimento, foi homenageado pela população de Tianguá, com a ereção de sua estátua, em praça pública, como homenagem da paróquia local ao seu primeiro vigário, empossado a 8 de dezembro de 1886.

FONTE:

LIVRO ‘RUAS DE CAJAZEIRAS’, DE DEUSDEDIT LEITÃO

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