Rosilda Cartaxo e a carteira assinada

Gaiatice, fuleiragem e o mais puro espírito de cajazeirabilidade

Nos idos de 1977, depois de 38 anos ensinando às crianças da Paraíba e de ter publicado cinco livros de pesquisa histórica sobre o seu estado, a professora e diretora da Secretaria de Educação de João Pessoa, Rosilda Cartaxo, estava para se aposentar.

No entanto, como ela era do tempo em que os professores não precisavam ter curso superior, o Estado se negava a pagar-lhe os Cr$ 3.200,00 mensais que ganhavam os portadores de diploma e, além disso, abaixou seus vencimentos de Cr$ 1.600,00 para Cr$ 911,00 – Cr$ 89,00 a menos do que ganhava a empregada doméstica da sua casa!

De posse deste dado, com a sagacidade que lhe era peculiar, Rosilda Cartaxo tirou carteira profissional como doméstica e pediu inscrição junto ao INPS de João Pessoa naquela categoria profissional.

O governador Ivan Bichara, conterrâneo da professora, preocupado com a repercussão do caso, prometeu recebê-la em Palácio; uma cortesia que em nada contribuiu para fixar o valor da aposentadoria, em litígio na justiça.

“Eu estou feliz com a minha nova profissão”, ironizou Rosilda. “Posso, agora, recomeçar minha retribuição à Paraíba!”

A saga dsta luta pela melhoria salarial foi publicada na revista Veja de 15 de junho de 1977 e transcrita no livro ‘Uma Rosa me Contou…’, de Edna Cartaxo Braga.

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