Quirinada: para que não esqueçamos quem somos e de onde viemos

ARTIGO DE ANTÔNIO QUIRINO DE MOURA

PARTE DOS DESCENDENTES DE JOSÉ PEDRO QUIRINO E MARIA FÉLIX DE MOURA REUNIDOS EM 2018
ANTÔNIO QUIRINO DE MOURA

“Recordar não é viver, recordar é viver de lembranças, viver de lembrança é morrer de saudades”. (Alcides Carneiro)

Mais uma vez, reunimo-nos, em Quirinada, porém, detalhadamente, os descendentes de Maria Félix e José Pedro Quirino, nossos pais, avós, bisavós.

É uma junção de recordações, saudades e celebrações.

Celebramos a vida de Maria Félix, “mulher forte, cheia de tranquilidade, com uma vida serena, transmitindo sempre essa paz interior, própria das pessoas que estão sempre de bem com a vida”.

Celebramos, igualmente, a vida de José Pedro Quirino, “cuja vida matrimonial transcorreu cheia de alegria e lutas, na criação e educação de dez filhos”.

Nesta celebração da vida, recordamos, com saudades, aqueles que foram a causa segunda da nossa existência.

Quem não lembra das noites enluaradas, na casinha de taipa da Boa Esperança, ao redor de Maria, cantarolando:

“Eu nasci naquela serra,

Num ranchinho à beira chão,

Todo cheio de buracos,

Onde a lua faz clarão”,

 entretendo-nos, e, baixinho, sussurrava: “Cadê Zé que não chega?”

“Ah! Que saudades que temos

Da aurora da nossa vida,

Da nossa infância querida

Que os anos não trazem mais”.

Zé Pedro chegava da feira, trazendo as preciosas guloseimas da época, e, logo “rudiado”, as distribuía: pitomba, macaúba, rosário de coco, bombom sem gosto, chita pro vestido de Maria, mescla pra “caça curta” dos filhos. Era a última alegria da noite. E da semana, pois, era sábado.

Zé, órfão de pai, Pedro Quirino da Costa, logo cedo, exerceu uma respeitosa e amorosa liderança sobre os demais irmãos. Todos seguiam sua orientação. Seu Noro, o mais novo, foi criado por ele.

Zé era de palavra. Maria, de palavra e oração. Terço na mão, lembrava a Santíssima, com o seu nome e o dela.

Zé, católico, nos ensinava, nas tangidas de boiada que fazia, ao avistar a torre de uma Igreja, parava, tirava o chapéu, direcionava uma mão para o alto, e com a outra pegava a mão do filho, pequeno tangerino e rezava:

 “Deus te salve casa santa,

Onde Jesus fez a morada

Onde mora o ‘Calix Bento

E a hóstia consagrada”.

Maria Félix, brincalhona, bonachona. Zé Pedro fechado, pouco propenso a sorriso. Seu sim, para nós era ordem irreversível: “Coloque os animais na roça e traga as ovelhas”.

Quando nos desentendíamos, éramos exemplados (peia), e, de logo: “Engula o choro!”. Apanhavam os três (mis velhos) para um não mangar do outro.

Zé e Maria nunca nos deixaram faltar alimento, roupa, rede, montaria, o respeito e a proteção.

Assim, foi nossa caminhada. Os sonhos não faltavam, alguns, partimos, outros, permaneceram no aconchego familiar. Todos triunfamos e vivemos unidos e felizes com devoção e bênçãos de Santo Antônio.

Em 23 de dezembro de 2018, reunidos, temos motivos para celebrar, com alegria, a vida de Maria Félix e Zé Pedro!

São 107 anos do nascimento de Maria: 20 de dezembro de 1911.

Zé Pedro, 126 anos do nascimento: 17 de janeiro de 1892.

Faz 59 anos da chegada a esta mesma humilde casa, em cima de um caminhão com lenha para cozinhar dois meses, no dia 26 de dezembro de 1959, meio dia em ponto! Era um sábado.

É a mesma vetusta casa, uma relíquia, que nos acolhe, hoje, pela anfitriã caçula Netinha!

EM 1962, ZÉ PEDRO E MARIA FÉLIX COM OS NOVE FILHOS REUNIDOS: DORGE, FRANSQUINHA, QUIRINO, ALUÍSIO, ALONSO, JOÃO DE DEUS, ADONIAS, NETINHA E PEDRINHO

Hoje, também recordamos, com imorredoura saudade, aqueles que, depois de combater o bom combate e guardar a fé, partiram para mansão de Deus, juntando-se a Maria Félix de Moura e José Pedro Quirino: Francisco, Alonso, Francisquinha, João de Deus, Dorge, Adonias e Júnior (filho de Dorge).

Finalmente, a descendência jovem de José Pedro e Maria Félix: não esqueça suas origens, não obstante, a celeridade da modernidade.

Unidos e felizes como vivemos, sigam vocês, também, pelas estradas da vida, a exemplo de Maria e do tangerino Zé “que ia levando a vida, como se tange uma boiada, com Deus no coração, ia seguindo sua estrada”.

ANTÔNIO QUIRINO DE MOURA, ADVOGADO, É FILHO DE JOSÉ PEDRO QUIRINO E MARIA FÉLIX DE MOURA, EX-PREFEITO DE CAJAZEIRAS E EX-DEPUTADO ESTADUAL NA PARAÍBA.

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