Quem foi mesmo Marcolino Diniz? (2)

A COLUNA DE FRANCELINO SOARES

COISAS DE CAJAZEIRAS
NESTE LOCAL, ESTAVA INSTALADA DA LOJA DE MARCOLINO (PEREIRA) DINIZ, ADQUIRIDA PELO GENITOR DE ÁLVARO MARQUES / FOTO: ACERVO DE FRANCELINO SOARES

O periódico O Rebate tinha como chefe de redação o Sr. José Galdino de Sousa, de família tradicional na cidade, e contava com os escritos do Dr. Otacílio Jurema e de dois jornalistas cearenses contratados: Demócrito Rocha e Júlio de Matos Ibiapina.

A sua linha era visivelmente anticlerical, em confrontação com a linha editorial do jornal contemporâneo O Rio do Peixe, de tendência católica que tinha, entre os seus colunistas e orientadores, Dr. Ferreira Júnior, Dr. Cristiano Cartaxo, professores Hildebrando Leal e Antônio de Sousa, padre Carlos Coelho que, posteriormente, foi sagrado bispo, todos eles capitaneados pela inteligência e tirocínio do padre Gervásio Coelho.

A “briga” argumentativa era feia e assistida, de longe, pelo Prefeito – por quatro legislaturas – Coronel Sabino Gonçalves Rolim (gestões 1893/1895, 1895/1904, 1904/1907 e 1923/1928) e pelo Promotor de Justiça, Dr. Ferreira Júnior.

Além das atividades, digamos, esportivas e jornalísticas, Marcolino desenvolvia um próspero comércio de tecidos e variedades, fazendo concorrência às casas do ramo mais prósperas, “A Paraibana”, de Diomídio (Midu) Cartaxo; “Jácome & Lacerda” e aos negócios diversificadas de João Bichara, pai do ex-governador Ivan Bichara.

A loja de Marcolino situava-se num imponente prédio localizado na esquina da Praça Coração de Jesus (Praça dos Carros) com a Rua 15 de Novembro (hoje Rua Epifânio Sobreira), e que, depois, foi adquirido pelo genitor de Álvaro Marques, que o reformou, dotando Cajazeiras de um dos mais emblemáticos edifícios da cidade, a antiga Casa Ypiranga, cujo primeiro andar foi arrendado pelo Estado, funcionando, por volta dos anos 40, como a Mesa de Renda, antiga denominação atribuída à Coletoria Estadual. Ainda hoje incólume, é a representação viva de um passado que, para nossa satisfação, teima em resistir ao boom imobiliário que está tomando conta de nossa urbe.

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