Praça Nossa Senhora de Fátima

Eu conheço cada palmo desse chão

COISAS DE CAJAZEIRAS
PRAÇA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA / FOTO: CAVALCANTE JÚNIOR

Trecho mais antigo da cidade, foi ali que, na década de vinte, do século passado, começou a formação da urbs cajazeirense, no mesmo local em que Vital Rolim construiu o Oratório de Cajazeiras para celebração de ofícios religiosos confiado ao seu filho, Padre Inácio de Souza Rolim, ordenado sacerdote, em Olinda, no ano de 1825. Nos primeiros anos de sua história, a localidade era conhecida como Oratório de Cajazeiras, conforme se pode ver em velhos documentos da época. Quando Vital Rolim e Mãe Aninha doaram terras, para construir o patrimônio da Capela de Nossa Senhora da Piedade, o Padre Rolim já começava o seu fecundo apostolado, com a instalação do seu colégio, nas proximidades da capela, em 1836, período em que a povoação já estava elevada à condição de sede de Distrito de Paz, do município de Sousa.

Depois de 1859, com a criação da paróquia, o trecho que foi se formando, em derredor da igreja, foi tomando a denominação de Praça da Matriz, cujo nome conservou ao longo do tempo, até meados do século passado. O primitivo oratório foi ampliado em sua antiga estrutura, transformando-se na antiga matriz, plantada numa pequena elevação que se defrontava com a casa de Mãe Aninha, no local onde hoje está instalada a sede social do Cajazeiras Tênis Clube. A igreja, em seu velho estilo colonial, dispunha de um amplo patamar que ocupava grande parte da praça, no qual se destacava um tradicional cruzeiro, em sua primitiva estrutura barroca, cujo conjunto arquitetônico se conservou até os nossos dias. Aquele patamar ficou lembrado, na crônica da cidade, como palco da tragédia de 18 de agosto de 1872, resultante de uma contenda entre conservadores e liberais, em plena eleição para escolha de novos eleitores, no velho sistema de eleição de dois graus. Aquele lamentável acontecimento que resultou na morte do jovem líder político do Partido Liberal João Antônio do Couto Cartaxo, teve profunda repercussão na Província e nos debates parlamentares da Câmara dos Deputados, no Rio de Janeiro, relembrado, também, e de forma comovente, nos artigos e discursos do seu irmão, Doutor Joaquim do Couto Cartaxo, autor do livro “Morticínio Eleitoral de Cajazeiras”.

PRAÇA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA EM 1957

A vida da vila tinha naquela praça a sua maior expressão. Ali residiam as famílias de maior representação social e econômica do município. Num livro de lançamento de imposto predial de 1891, encontramos a relação nominal dos proprietários dos prédios que ocupavam o espaço lateral da Matriz. A praça era delimitada por uma pequena artéria que tinha o nome de Rua do Cruzeiro, numa referência ao velho cruzeiro ali existente. Em uma daquelas casas, funcionou, por muitos anos, a cadeia pública. Ao lado esquerdo da Matriz, havia algumas casas cujo local, segundo informações de pessoas mais idosas, tinha a estranha denominação de Rua dos Sete Pecados, visto residirem ali, algumas mulheres de vida duvidosa.

Em 1930, a Praça da Matriz passou por substancial reforma, graças à operosidade do Prefeito Hildebrando Leal que a urbanizou, com a construção do coreto e do passeio público, em seu derredor, resultando na demolição do velho patamar, para oferecer espaço àquela importante realização da Prefeitura Municipal que deu ao local um aspecto festivo, pelas inesquecíveis retretas ali realizadas, animadas ao som da banda de música da cidade e pela garridice da juventude que a procurava. Em 1952, o Prefeito Octacílio Jurema ampliou a praça com a demolição das casas da antiga Rua do Cruzeiro, desapropriadas na administração do seu sucessor, Arsênio Araruna. A Praça da Matriz, conseqüentemente, ganhou mais espaço e se estendeu até à Rua Joaquim de Sousa.

CORETO DA PRAÇA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

Com a transferência da quase centenária Paróquia de Nossa Senhora da Piedade para a nova catedral construída, à Praça Cardeal Arcoverde, a velha matriz mudou de orago, passando a ter como padroeira Nossa Senhora de Fátima, cuja invocação alcançou enorme consagração popular, com a visita da Imagem Peregrina. Por decreto diocesano de 12 de janeiro de 1957, D. Zacarias Rolim de Moura criou a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima. Desde a passagem da imagem peregrina que lembra, em sua piedosa invocação, a aparição da Virgem Maria, na Cova da Iria, o povo passou a dar àquele aprazível recanto da cidade o nome de Praça Nossa Senhora de Fátima, oficializado, logo depois, pelo poder público como homenagem ao sentimento religioso dos seus munícipes.

Os últimos prefeitos da cidade têm se revelado cuidadosos, na manutenção da pracinha, conservando seu ajardinamento e instalação de moderno serviço de iluminação elétrica. O Prefeito Francisco Matias Rolim deu-lhe um aspecto festivo e atraente, justificando a publicidade daquele recanto da cidade como um dos seus cartões postais, numa visão conjuntural da praça e da velha e mais que sesquicentenária matriz que, na simplicidade do seu estilo semi-colonial, relembra a cidade e seu passado, vivido ali, à sombra do templo, desde o modesto oratório do Padre Rolim à dignidade da Sé Episcopal de D. Moisés Coelho.

FONTE:

LIVRO ‘RUAS DE CAJAZEIRAS’, DE DEUSDEDIT LEITÃO

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