Ou paga ou morre

A COLUNA DE JOSÉ ANTÔNIO DE ALBUQUERQUE

As famílias do Sertão da Paraíba estão sobressaltadas. Muitas têm perdido os seus filhos para os traficantes de drogas. Há três anos foi morto a tiros de pistola Marcos Aleijado, considerado um dos maiores traficantes de drogas de Cajazeiras e um seu colega de “negócios”, com base na cidade de Sousa, Galego Daniel, depois de participar do seu sepultamento, oito dias depois foi também crivado de balas. Estes dois crimes até hoje não foram solucionados.

Considerados os dois maiores traficantes do sertão, poucos dias depois de executados todo o sistema de tráfico não sofreu solução de continuidade e a quantidade de pontos de drogas e de usuários têm aumentado na periferia de Cajazeiras e o mais grave: tem ampliado as suas garras para toda a zona rural de município.

Havia uma lista no ano passado, com 15 nomes, todos marcados para morrer e destes, 12 foram executados a tiros, e alguns com requintes de crueldade e mais da metade eram de jovens entre 15 e 19 anos. Todos envolvidos com drogas.

No mês de julho, mais precisamente no dia 13, um jovem com 15 anos e outro de 18 foram barbaramente assassinados e possivelmente, um deles, antes de morrer, teve partes de seu corpo decepado e provavelmente pode ter sido “enterrado vivo”, na tentativa de esconder o corpo. Este fato deixou a cidade em estado de “terra arrasada” e clamando aos céus uma luz para encontrar uma solução para debelar o tráfico de drogas.

A região, esta semana, mais uma vez foi assolada com dois duplos homicídios: um às margens da PB 393, que liga Cajazeiras a São João do Rio do Peixe, onde dois jovens foram executados, possivelmente cada um com 14 tiros de pistola e o outro na zona rural do município de Uiraúna, também a tiros de pistola calibre 380 e uma das vítimas tinha apenas 16 anos de vida. Acredita-se que haja envolvimento com drogas.

Quatro duplos homicídios na região, sendo três no território do município de Cajazeiras, em menos de cinco meses. Aonde buscar as causas para tanta violência? Infelizmente, o número de assaltos a mão armada, roubos de motos e de celulares têm pontuado com um índice elevadíssimo nas estatísticas das ocorrências policiais.

E as soluções? Tenho ouvido constantemente que a Policia Militar tem agido com prontidão, na maioria dos casos, na busca e apreensão dos criminosos, mas eis que, também quase na totalidade, sendo menor de idade, logo é liberado e os de maior em seguida, na audiência de custódia, a justiça devolve para as ruas. Estaria a policia enxugando gelo?

Qual seria o percentual do envolvimento de drogas nos atos criminosos e da violência cotidiana em Cajazeiras? Sem números oficiais, tem-se conhecimento de que, por exemplo, a maioria dos albergados da nossa cadeia pública teria envolvimento com drogas.

Já no ano de 2010, Dr. Alexandre Irineu, um dos promotores de justiça de Cajazeiras, declarou num evento da Câmara municipal sobre drogas, que a cidade tem mais de 500 casas vendendo drogas  e este fato vem sendo comprovado, via ações da Polícia Militar, que toda semana vem “arrombando” pontos de drogas e sempre o Gazeta vem publicando, ao longo destes dez anos e que já está servindo para trabalhos de estudantes universitários de todas as áreas sobre este grave problema que vem destruindo muitas famílias de nossa cidade.

A “Lei do Tráfico” é cruel: dívidas de drogas: ou paga ou morre e quem nela se envolve é muito difícil encontrar uma saída e dizem ainda que a vida da droga só tem dois caminhos: cadeia ou cemitério e infelizmente se constata: as cadeias estão lotadas e os cemitérios recepcionam o excesso dos presídios.

Em Cajazeiras quantas famílias estão sendo e foram destruídas pelo submundo das drogas. Quantas famílias já sepultaram os seus filhos nos cemitérios de Cajazeiras?

Qual a saída? Eis a questão! Qual a saída?

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