O que esperar para o Brasil 2019

A COLUNA DE FRANCISCO SALES CARTAXO ROLIM

Não sou profeta nem cartomante. Fujo de adivinhação este ano. No passado, já me arrisquei. Nem sempre me sai bem. Agora até a análise do ocorrido em 2018 requer cuidados especiais, tão surpreendentes andam as coisas no Brasil. Não me anima este exercício, muito menos contribuir para enfadar o leitor. Por isso, projetarei tão somente simples desejos para 2019.

Primeiro quero nossa democracia mais consistente.

Senti-la consolidada, as instituições funcionando sem percalços. Não vislumbro, aliás, sinais de alteração na caminhada democrática. Os governantes, que tomarão posse nesta terça-feira, foram eleitos pelo voto direto, secreto, confirmado na urna eletrônica, sem contestação ou suspeita de fraude. Lamenta-se, contudo, ter o candidato vitorioso sofrido atentado e, por esse motivo, impedido de expor, com clareza, suas ideias, seu programa de governo. E mais, ao não participar de debates deixou responder cara a cara aos questionamentos típicos de campanha eleitoral democrática. Isso era fundamental porque o deputado Jair Bolsonaro, apesar dos muitos anos de parlamento, pouco contribuiu para resolver os grandes problemas nacionais. Em consequência, quase nada se conhece de suas ideias.

Segundo, quer sentir clareza no presidente Bolsonaro.

O fato de ignorar-se suas propostas na plenitude, não implica em negar-lhe legitimidade para governar. É lamentável, no entanto, que Jair Bolsonaro assuma a responsabilidade de presidente da República, sem que se saiba com clareza o rumo que sua administração dará ao Brasil. Daí esse vaivém de propósitos, alinhavados às pressas, a demonstrar falta de visão clara de futuro, geradora de insegurança e incertezas.

Vejamos alguns exemplos.

Reduzir o número de ministérios de 27 para 15 ou 17 foi sedutora promessa de enxugamento da máquina pública e redução de gastos inúteis do setor público. Assim de propalava. Ficou em 22, após idas e vindas, com palpites daqui e dacolá.

O Nordeste, Pernambuco na vanguarda, tem experiência em dessalinizar água. Fernando de Noranha é abastecido, parcialmente, por esse processo. Mandar um ministro a Israel conhecer como se faz isso… é bobagem de leigo em problemas do semiárido nordestino. Que horror! Outra face do Puxa-encolhe atinge, também, interferências de familiares nos assuntos do governo. Pouco importa que os filhos de Jair Bolsonaro sejam políticos militantes. A História do Brasil está repleta de situações delicadas, que mostram o quando a família atrapalha, mais do que ajuda, quem detém capacidade formal de tomar decisões.

Meu terceiro desejo é ver o poder judiciário produzir mais deliberações coletivas e menos decisões monocráticas, exibindo mais segurança jurídica e menos vaidades pessoais ou profissionais. E não tomar decisões egoístas, corporativistas que ampliam, de forma acintosa, as desigualdades sociais, a exemplo da concessão aumento salarial de 16,3%, quando a maioria do povo brasileiro mal consegue repor perdas inflacionárias.

O quarto grande desejo é ter razões sólidas para respeitar o parlamento brasileiro, vê-lo transformado em ambiente de debates sério das grandes questões nacionais, afastando-se da prática de negócios escusos, nada republicanos.

O quinto desejo se liga ao prosseguimento das investigações conjuntas Justiça/Ministério Público/Polícia Federal, incluindo a extinção do foro privilegiada, com punições severas para os corruptos.

Utopia? Agarro-me a ela, então.

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