O museu

COLUNA DE EDUARDO PEREIRA

COISAS DE CAJAZEIRAS
EDUARDO PEREIRA

Enquanto as discussões acaloradas correm soltas pelas redes sociais, e também por colunistas e leitores de jornais sobre o incêndio do secular Museu Nacional do Rio de Janeiro para saber quem é o culpado por esse escândalo, um museu começa a se constituir na interiorana cidade Cajazeiras-PB.

No penúltimo fim de semana estive em Cajazeiras para participar dos eventos da semana da cidade e presenciar sua efervescência cultural conduzida pela a administração da Secretaria de Cultura Municipal, na pessoa de seu secretário Ubiratan de Assis e assessores.

Era o sonho da cidade ter seu museu. Graças a persistência dos que promovem a cultura cajazeirense o objetivo está sendo alcançado.

Nas palavras de Ubiratan de Assis é um museu que começa a dar seus primeiros passos em curto, médio e longo prazo. Bira, como é mais conhecido, foi sensato nessa sua afirmação.

Em termos de Brasil a criação de um equipamento cultural é demorado, como bem sabemos, e complicado mais ainda quando depende de verbas públicas. Mas no caso de Cajazeiras a vontade dos que queriam estabelecer essa instituição cultural falou mais alto.

O poder público municipal entrou com um fator importantíssimo, o espaço, e, diga-se, um local que tem história da cidade, o antigo casarão, na Rua Epifânio Sobreira, no centro da cidade. E as peças que darão vida propriamente ao recinto, foram conseguidas em um colégio público que há anos resguardava preciosidades da história cajazeirense. É verdade que não é muita coisa, mas é o ponta a pé inicial almejando a colaboração da população com suas relíquias de valor histórico pertinentes à cidade.

O casarão tem um espaço generoso e abrigará o memorial do fundador da cidade, Padre Rolim, e o Museu do Futebol de Cajazeiras, que, com a colaboração do incansável professor de educação física, Reudesman Lopes, disponibilizou seu acervo de raridades. Para se ter uma ideia, tem lá um troféu com oitenta anos de idade conquistado por equipe cajazeirense na disputa de campeonato local.

Aos poucos os gestores vão dando cara de museu ao recinto e será um equipamento cultural que entrará naturalmente no roteiro turístico da cidade, criando-se o hábito de visitação para se conhecer sua história.
No ano passado fui conhecer os museus de Areia-PB: Museu Casa de Pedro Américo, Museu Regional de Areia e o Museu da Rapadura (este último cheguei tarde e não deu para vê-lo). Depois fui para Alagoa Grande-PB ver o Memorial Jackson do Pandeiro. Dias depois fui à Fundação Casa José Américo de Almeida em João Pessoa. Mais alguns dias fui à Recife ver o Museu Brennand. Há pouco mais de um mês revisitei o Museu de Arte Moderna de São Paulo, mais o Instituto Moreira Sales e outros institutos e galerias de artes culturais belíssimos que São Paulo dispõe.

Relacionei essas visitas aí acima, fora outras tantas em Brasília, para dizer que sou entusiasta desse Museu de Cajazeiras e me associo aos que abraçaram essa causa.

Um bom teatro Cajazeiras tem. Uma Biblioteca Pública Cajazeiras tem – mesmo carente de mais acervo. A Academia de Cajazeiras de Artes e Letras foi constituída. Mais uma Editora foi criada, a Arribaçã. Ou seja, a vida cultural de Cajazeiras está em ebulição, e o Museu de Cajazeiras é mais um fator de sedução para visitá-la. Sempre.

EDUARDO PEREIRA É CAJAZEIRENSE RESIDENTE EM BRASÍLIA (DF)

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