O guarda-chuva

Gaiatice, fuleiragem e o mais puro espírito de cajazeirabilidade

Mais uma presepada no Cine Cruzeiro… O cinema funcionava num prédio antigo e suas instalações eram muito precárias. Em tempo de chuva, apareciam inúmeras goteiras no seu interior, causando revolta nos frequentadores.

E nesse malabarismo de troca de cadeiras para não se molhar, o público tinha uma noção real de que o cinema de Seu Eutrópio precisava de muitos reparos e mais conforto.

Assim, toda vez que chovia, era água e mais água, deixando o chão frio e úmido, cheio de poças.

Em certa ocasião, o penetra João Bosco de Berí, sabedor da situação do cinema, aproveitou o momento para deixar sua marca. Nessa noite, se prenunciava uma grande chuva em Cajazeiras, quando ele se dirige ao Cine Cruzeiro.

Já sentado e acomodado com outras pessoas à espera do filme, a chuva chega e começa a cair água na maioria dos lugares. E o penetra João de Berí, para não se molhar, abre o seu guarda-chuva para o espanto dos espectadores e como uma forma de criticar publicamente o ambiente.

DO LIVRO ‘OS PENETRAS’, DE JOSÉ MIGUEL LEITE JÚNIOR

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