José Nello Rodrigues: um homem de valor

A COLUNA DE FRANCELINO SOARES

Q filho de Barro, no Ceará, bem que poderia ter se naturalizado cajazeirense… Mas, nós o temos como um “cajazeirado” de primeira hora.

Zerinho incorporou este “sobrenome” ao seu nome de batismo, certamente por motivação de “foro íntimo” cujas razões creio que nem mesmo os seus amigos sabem.

Mas, o que todos sabem é que ele é oriundo de uma família modesta, porém respeitável – os André – que fizeram história no vizinho município cearense, onde, incólume, permanece a Casa da Cultura André Rodrigues.

A família, desde muito cedo, assimilou a religiosidade alimentada pelas irmãs André, devotas e cultivadoras das atividades ligadas à religião católica, que professavam “com zelo e dedicação e que levavam uma vida de oração cimentada no amor e na caridade”.

A família de Tabosa André Rodrigues e Joaquina Nelo Rodrigues criou uma prole de treze filhos, a cujo primogênito, Zerinho, cabia, desde a infância, a tarefa de agilizar os trabalhos diários, encarregando-se de fazer o transporte de tijolos de olarias para o centro da cidade, bem como de cuidar da tropa de jumentos pertencente à família.

Mesmo assim, ainda arranjava tempo para as primeiras incursões nos rudimentos escolares, caminhos que, posteriormente, o levaram a ingressar no Convento Franciscano da cidade de Triunfo, em Pernambuco. Circunstâncias, porém, alheias à sua vontade, fizeram-no desistir do caminho sacerdotal.

No início de sua juventude, a família resolveu, mesmo enfrentando as dificuldades inerentes à mudança, rumar para Cajazeiras, onde poderia oferecer aos filhos horizontes mais claros tanto quanto à continuidade dos estudos, como na busca do enfrentamento diante das intempéries da vida.

Em aqui chegando, no ano de 1956, o pai conseguiu emprego de guarda municipal, na gestão do prefeito Otacílio Jurema, enquanto Zerinho foi contemplado com o emprego de contínuo no Armazém Paraíba, de Chico Rolim, sem contudo largar os estudos, matriculando-se no Colégio Comercial Mons. Constantino Vieira, cujo curso básico comercial foi concluído em 1959.

Antes, porém, em 1957, foi alçado ao cargo de balconista, na venda de tecidos. Com o término do curso, passou a trabalhar no escritório da firma J. Lira Braga. Posteriormente, a convite do Antônio Rolim, passou a chefiar a contabilidade da firma Lira Pinheiro S/A, de onde, amealhando algumas economias, saiu e resolveu trabalhar por contra própria, abrindo o seu negócio, uma vez que se achava pronto para enfrentar a vida, pois dispunha de pouco dinheiro, mas de muita coragem, dinamismo, esperança, vontade de vencer, garra e tino comercial. Daí pra frente, somente objetivava o progresso.

Abriu uma indústria de sandálias de borracha, registrando a marca Haity, que marcou época. O crescimento o fez aventurar-se, e ele fundou a Empresa de Transportes Marajó Ltda., hoje conhecida Brasil afora. A Rádio Oeste veio a seguir, dando-lhe suporte para o ingresso em atividades diversificadas. Resolve entrar para a política, chegando ao cargo de Prefeito Municipal, (1993/1996), em gestão que ficou marcada pela eficiência administrativa.

Incorporado às atividades da cidade que o acolheu, exerceu cargos de relevância em atividades classistas e públicas, sendo merecedor de vários títulos e comendas, que culminaram com o título de Cidadão Paraibano, concedido pela Assembleia Legislativa da Paraíba.

Hoje, assessorado pelo primogênito Arlan e, mesmo tendo superado problemas de saúde, supervisiona as suas empresas, dedica-se à família e aguarda, para muito em breve, a publicação de um livro/biografia, cujos textos foram organizados por Aguinaldo Rolim, com Supervisão Editorial do autor deste Portal da Memória.

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