Integralismo em Cajazeiras

A COLUNA DE FRANCISCO SALES CARTAXO ROLIM

A década de 1930 foi de extrema radicalização ideológica no mundo, estimulada pelo socialismo na Rússia e a ascensão do nazismo na Alemanha. No Brasil a pregação comunista revigorou-se sob o comando de Luiz Carlos Prestes, militar vindo da luta contra as oligarquias políticas, nos anos de 1920, com destaque para a marcha rebelde por vasta área do território brasileiro, em 1926. A Coluna Prestes, que deixou no sertão da Paraíba rastro de sangue e um mártir em Piancó, o padre Aristides Ferreira. Depois, Prestes abraçou o socialismo, passando a chefiar o clandestino Partido Comunista do Brasil.

O contraponto partidário ao comunismo foi a Ação Integralista Brasileira (AIB), fundada em 1932, pelo paulista Plínio Salgado, um jovem pensador católico, jornalista, poeta, escritor. Na base social do integralismo figuravam padres e leigos católicos, militares de todas as armas, imigrantes europeus, italianos sobretudo. A Ação Integralista abrigou razoável parcela dos católicos, convencidos de ser aquele um caminho seguro para barrar o avanço do comunismo ateu no mundo. Os integralistas usavam o Sigma, como símbolo, vestiam camisa verde e, de punho levantado, saudavam com o um anuê, tupi guarani!

Na estruturação da AIB havia, entre seus órgãos dirigentes, uma Câmara dos Quarenta e a Câmara dos Quatrocentos. Nesta, Cajazeiras esteve presente através do então jovem estudante Ivan Bichara Sobreira. O núcleo local da AIB contava com Cristiano Cartaxo e figuras ligadas à Igreja católica. Como entidade legal a Ação Integralista durou pouco. Na verdade, Getúlio Vargas usou a organização e o entusiasmo dos integralistas para rechaçar a tentativa de golpe comunista de 1935. O ardiloso político gaúcho chegou a insinuar que governaria com os seguidores de Plínio Salgado. Pura encenação. A lua-de-mel foi um quase nada. O golpe de novembro de 1937 deu suporte para dissolver, também, a AIB, despachando para o exílio o seu chefe Plínio Salgado.

Com a redemocratização, em 1945, Plínio Salgado retorna de Portugal, funda o Partido de Representação Popular (PRP), que concorre às eleições legislativas com pouco sucesso. Em 1950, amplia sua representação no Congresso Nacional, como informa a primeira diretiva que o chefe do PRP encaminha aos seus correligionários. Tenho em mãos, o original de ofício, de 25 de novembro de 1950, assinado por Plínio Salgado, presidente nacional do PRP, dirigido ao Dr. Antônio de Góis Éllery, presidente do diretório municipal de Cajazeiras. Neste documento, de 4 páginas, Plínio Salgado irradia otimismo. Ao analisar, parcialmente, o resultado da eleição de 3 de outubro, ele festeja o crescimento da legenda, que dobrou no mínimo seu poder eleitoral, apesar do terremoto político ocasionado pela intervenção em alta escala do dinheiro dos plutocratas e dos cambalachos com que os votos foram mercadejados em todo o país, pela troca de cédulas, segundo os interesses de âmbito federal, estadual, local ou meramente pessoal. Acrescenta que o PRP terá de 3 a 7 deputados federais, e passará de 13 para 23 ou 30 deputados estaduais, até o término da apuração.

Doutor Éllery, dentista radicado em Cajazeiras, foi dirigente local do PRP muitos anos. Em sua casa se reunia meia dúzia de correligionários. Menino de calça curta, fui levado pela mão de meu pai a algumas dessas tertúlias partidárias e cheguei a assinar atas, salvo engano, escritas por César Nogueira Rolim.

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