Impossível votar em Bosco Amaro

A COLUNA DE FRANCISCO SALES CARTAXO ROLIM

O boa praça Bosco Amaro é tratado como Boscamaro. Dois nomes em carinhosa simplificação, Boscamaro tem a sonoridade de Bolsonaro, candidato a presidente da República.  Radialista muito popular no sertão paraibano, João Bosco Amaro tem longa atuação em emissoras de rádio de Cajazeiras, no comando de programas variados que atingiram – e ainda atingem – diferentes camadas da população rural e urbana. Aliás, seus irmãos, Chagas Amaro e Edmundo Amaro também são radialistas em Cajazeiras, com atuação marcante na crônica política e nos esportes. Os três são conhecidíssimos, da mesma forma que o compositor e cantor Jocélio Amaro, hoje residindo em São Paulo, em virtude de emprego federal. Os quatro são filhos de seu José Amaro, uma baraúna de mais de 90 anos, que resiste ao tempo com a bondade de sempre.

Bosco Amaro é também advogado e político. Exerceu mandatos de vereador, em Cajazeiras, na época do regime militar. Sempre filiado ao MDB, comeu o pão que o diabo amassou. Não fraquejou. Manteve-se firme na oposição consentida no tempo das vacas magras. Por favor, jovem leitora, não confunda o MDB de Bosco Amaro com esse amontoado de malfeitores da política, que hoje mandam no partido que, no passado, abrigou Ulisses Guimarães, Miguel Arraes, Pedro Simon, Waldir Pires, Mário Covas e outras figuras desse porte. Nada a ver, portanto, com os corruptos, tipo Romero Jucá, Geddel Vieira Lima, Sérgio Cabral, Eduardo Cunha. Estes três presos por corrupção, graças à Lava Jato.

A retomada do processo democrático trouxe novos partidos, mas Bosco continuou como um dos “históricos” no PMDB. O sistema partidário brasileiro, lamentavelmente, se avacalhou. Transformou-se nesta confusa mistura de siglas, nas quais há de tudo, menos coerência, ideologia e seriedade. Pois bem, no meio dessa mixórdia partidária, já neste século XXI, Bosco tomou-se de raiva pelo Partido dos Trabalhadores. Não conheço as causas desse sentimento. Deixa pra lá. Não vem ao caso. Importa agora dizer que ele decidiu externar o ódio ao PT, colando no seu velho carro um tosco cartaz com estes dizeres:

PT nunca mais.

Assim, durante muito tempo, Bosco Amaro revelou sua manifesta aversão ao partido que, lá atrás, embalou o sonho de milhões de brasileiros, sequiosos de ver rigorosa conduta ética na política, defesa real dos pobres e probidade no trato do dinheiro público.

Quando fui a Cajazeiras participar das festas em homenagem ao centenário de Ivan Bichara Sobreira, Bosco Amaro me contou, entre ruidosas gargalhadas, que estava sendo procurado por várias pessoas para apoiar sua candidatura:

– Ei, Bosco, você nem me disse que é candidato… mas pode contar com meu voto.

– Como é que é? Eu candidato?

– Oxente, toda hora eu escuto falar no rádio, Boscamaro candidato a presidente da República, é ou não é?

Eita confusão da porra! Bolsonaro ou Boscamaro!

Quem sabe, aquele tosco cartaz exibido no carro, meses a fio, tenha induzido alguns amigos seus a achar que era ele, Bosco Amaro, o detentor do sentimento antipetista que domina parte da sociedade brasileira. Sentimento talvez aguçado após a facada do dia 6 de setembro, em Juiz de Fora.

A facada eximiu o capitão-deputado-candidato de expor suas ideias. A verdade é esta: pouco se sabe do que pensa Bolsonaro, de suas propostas e diretrizes para governar o Brasil. Milhões de eleitores vão votar no escuro, aferrados ao perverso sentimento de ódio. Que tristeza!

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