Gobira, Bolsonaro e ódio

A COLUNA DE FRANCISCO SALES CARTAXO ROLIM

CIRO GOMES / FOTO: DIVULGAÇÃO

Gobira percorre a Paraíba em busca dos votos perdidos em 2014, quando foi candidato a deputado federal pelo PSOL. Muitos votos. Perto de 50 mil. Desbancou dezenas de candidatos ricos e corruptos. E ainda deixou amargurado, na primeira suplência, o experiente Marcondes Gadelha, que tinha como certa sua eleição. Gobira arrastou 4 mil sufrágios em Sousa, sem gastar um tostão, pois tostão não possuía. O próprio Marcondes lamentou-se, ao constatar que lhe faltou uma merreca de votos para retornar a Brasília. Votos de protesto alegre de Gobira.

Gobira virou fenômeno eleitoral.

Fui testemunha desse fenômeno em Cajazeiras, onde tudo começou. Gobira caiu no gosto do povo. Cansado dos candidatos do jatinho, os cajazeirenses escolheram votar no sapateiro, pobre, folclórico, boa praça, desmoralizando os cabos eleitorais que recebiam grana para apoiar forasteiros. Nossa forte mídia espalhou a onda pelo sertão, que atingiu Campina Grande e João Pessoa. Amortecida, é bem verdade, mas chegou. Resultado: 48.157 votos! Só em Cajazeiras foram quase 20.000!

Este ano, Luiz Antônio Lúcio Rangel (Gobira) é candidato a deputado federal, de novo. Desta vez pela Rede, o partido de Marina, uma pessoa do bem. Ainda no PSOL, Gobira tentou, em 2016, a prefeitura de Cajazeiras. Quebrou a cara. A raiz do protesto morrera, a motivação sumiu. Gobira obteve míseros 1.290 votos. Um fiasco. Tal como foi sua candidatura a vereador, lá atrás, quando usou o jumento e um macaco como símbolo de inusitado apego aos animais… A passeata do jumento foi sucesso de mídia, com divulgação em rede nacional de televisão. Até permitiu ao médico Deusdedit Leitão, então candidato a prefeito, aparecer como papagaio de pirata, aliás, papagaio nada ecológico…

Que faria Gobira em Brasília?

Ninguém saberia responder. No máximo, você teria como resposta bordões, fiapos de lugares comuns, chavões, palavras de ordem banais, seguidas de gestos emblemáticos, como a risível cena do candidato batendo numa lata velha. Nada mais. A onda Gobira de 2014 morreu na urna, sem revolta, sem ódio, sem deixar marca nociva na sociedade paraibana. Tudo com bom humor.

E com Bolsonaro?

Com o capitão há raiva, ódio, rancor. Intolerância. E ignorância também. Que propostas ele tem para tirar o Brasil da crise? Qual sua visão estratégica frente às profundas discriminações existentes na sociedade brasileira? Que solução aponta para o problema das desigualdades regionais e sociais? Como trataria o Nordeste em seu governo? Pouco se sabe. Que experiência tem Bolsonaro para arbitrar questões nacionais polêmicas? Ora, quando indagado, Bolsonaro manda procurar seu assessor econômico…

Que papelão!

Feito Gobira, ele bate na lata: bandido bom é bandido morto, e simula com mãos e braços o tiro mortal. A história ensina: violência não se combate com violência. Então, seria saudade da repressão? Da rigorosa censura? Da Constituição sem povo, como prega o general Mourão, seu vice? Do tempo de prisões, tortura e morte nos cárceres da ditadura?

Tal qual o eleitor de Gobira, o eleitor de Bolsonaro protesta. Ambos são contra tudo que está aí. Tudo muito vago, muito difuso como não votar em forasteiros. O voto de Gobira, porém, foi dado em clima de festa e alegria. O voto de Bolsonaro respinga ódio. Muito parecido com o voto de Haddad, carregado de sectarismo, de intolerância. Querem apagar incêndio jogando gasolina? O Brasil merece fugir desse dilema.

Por isso, voto 12, voto Ciro.

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