Deusdedit Leitão e as pesquisas históricas

A COLUNA DE FRANCISCO SALES CARTAXO ROLIM

Impossível estudar o passado de Cajazeiras sem recorrer ao legado de Deusdedit Leitão. Ninguém o iguala em matéria de informações coletadas em fontes primárias, nos arquivos eclesiásticos, em cartórios, jornais antigos ou ouvindo pessoas contemporâneos ou próximas dos fatos pesquisados. Ele checava tudo que podia. A isso, acrescentava reflexões, sempre pertinentes. Ao longo de sua vida, Deusdedit dedicou-se a destrinchar situações que levassem ao conhecimento de nossa história. Agia com imensa satisfação intelectual e com amor. Do seu meticuloso trabalho resultaram vários livros, ensaios, artigos publicados em jornais e revistas. Tudo de enorme utilidade, agora mais do que antes, quando alguns candidatos à Academia Cajazeirense de Artes e Letras andam à procura de subsídios para elaborar o perfil biográfico de seu Patrono.

Parte significativa do que Deusdedit Leitão escreveu encontra-se dispersa em periódicos, sobretudo, das décadas de 1950 e 1960. Duas séries de artigos, por exemplo, são fundamentais para todos nós. Uma delas foi publicada no mensário da diocese de Cajazeiras, Correio do Sertão, sob o título geral de Homens e coisas de Cajazeiras, que enfeixa, em cada texto, manancial de dados genealógicos, fatos e ações envolvendo personagens históricos do sertão. A outra série, Famílias Cajazeirenses, embora seja menos extensa, talvez não chegue a dez textos, é igualmente notável. Foi divulgada nas páginas do jornal O Observador, criado e mantido pelo professor José Pereira, nos anos de 1955 e 1956. Alguns Patronos da ACAL são referenciados nesses artigos de Deusdedit Leitão.

A propósito, a nascente ACAL deve colocar, brevemente, cerca de 40 dessas preciosas crônicas históricas, do meu arquivo pessoal, à disposição dos interessados.

Parte do acervo, recebido de herdeiros de Deusdedit, encontra-se, hoje, sob a guarda da UFCG, no Núcleo de Documentação Histórica Deusdedit Leitão – NDHDL. A existência do Núcleo, aliás, funciona (ou deveria funcionar) como estímulo a professores e estudantes de História, Sociologia e disciplinas afins, capaz de convergir a atenção no rumo da realidade local, engrenando-a em pesquisas acadêmicas. De conversas mantidas, anos atrás, com professores da UFCG, saí cheio de esperança, mesmo sabendo que exemplares raros de jornais antigos, lá não foram parar. Preciosidades guardadas por Deusdedit com o desvelo de quem sabe da sua relevância para ligar os fios da história de Cajazeiras. Sabia também que muita coisa já fora repassada por ele próprio, nos últimos anos de vida. Chegou a hora de democratizar o acervo de Deusdedit, tornando-o acessíveis a todos.

E os cadernos de anotações?

Deusdedit tinha o hábito, o paciente e salutar costume, de anotar em caderno, com letra legível, datas e fatos, extraídos de jornais antigos e outras fontes primárias. Consultei alguns deles, em 2006, em sua casa em João Pessoa, quando estava escrevendo o livro Do bico de pena à urna eletrônica. Mais tarde, João Rolim da Cunha recebeu esses cadernos e os ordenou, aproveitando-os no livro Barra da Timbaúba.

O NDHDL não os recebeu.

Nem os cadernos nem os jornais. De qualquer modo, na UFCG se encontram outras fontes que, seguramente, muito ajudarão aos pesquisadores, preocupados em escrever a respeito de personagens históricos, que tiveram participação em fatos relevantes das artes, das letras, da formação educacional, religiosa, política, cultural, econômica e social de Cajazeiras.

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