Desencanto

A COLUNA DE RAFAEL HOLANDA

Enquanto se silencia a voz dos que são capazes de resolver os problemas, e que apenas observam sem tomarem ações que possam acalmar a dor: o mundo de forma lenta se aprofunda na tristeza.

O desencanto se transforma em bandeira, as lágrimas se juntam para transformarem em rios que desembocam em um mar completo de desilusão, substituindo a força da fé e fazendo com que os homens percam sua crença.

Haveria uma esperança se todos compreendessem que as quedas dos outros podem ser as nossas quedas, que os sofrimentos alheios serão sempre espelhos dos nossos sofrimentos e nossas incertezas.

Enquanto os risos se perpetuam em mansões, enquanto o orgulho faz questão de contemplar o amargo e sofrido sol dos desesperados, os caminhos das disparidades continuam a aumentar.

As sepulturas são cavadas de forma desordenadas, a periferia treme pelo frio e fome: as lágrimas persistem como uma necessidade que tem o pobre sofredor de fazer desta ação um alento a sua dor.

Era tão sublime quando muitos paravam por caminhos e como o samaritano estendia as suas mãos para num ato sublime retirar alguém que pelos sofrimentos viviam em vida a vida que por si já não tinha significado. 

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