Como votei no primeiro turno

A COLUNA DE FRANCISCO SALES CARTAXO ROLIM

Não tenho motivos para esconder minhas preferências eleitorais, por isso, compartilho meu voto. Este gesto, penso, aumenta a confiança entre o leitor e este cronista. Começo dizendo que selecionei os seis candidatos sem ligar para coerência partidária, tanto que votei em filiados a cinco partidos! Uma doidice? Não. A loucura não é minha. Maluco é o avacalhado sistema partidário brasileiro.

Em quem votei?

Para presidente da República, Ciro 12 (PDT). Votei no 40 (PSB) para reeleger o governador Paulo Câmara, que atingiu 50,70% dos votos válidos, dispensando o segundo turno. Ajudei Jarbas Vasconcelos (MDB) a voltar ao senado e contribuí para que Humberto Costa (PT) não saia de lá. Os dois já foram ferrenhos adversários durante muitos anos, mas se uniram este ano. Para a câmara federal escolhi Ivan Moraes (PSOL), um jovem jornalista que exerce o primeiro mandato de vereador no Recife, com atuação pouco ortodoxa, num ambiente de negociatas e assistencialismo. Ivan não se elegeu, mesmo sendo o mais bem votado de sua legenda.

E o deputado estadual?

Queria votar numa mulher, mas não me fixava em nenhuma das muitas postulantes. Pensei na novata exótica Gleide Ângelo (PSB), mas logo pressenti que ela se elegeria fácil, tanto se falava em seu nome. Seria minha ajuda ao reconhecimento à delegada de Polícia, de origem humilde, pela sua competente atuação profissional, desvendando intricados crimes com rara coragem, transparência e destemor. Gleide Ângelo virou fenômeno eleitoral, 412.636 votos. Só no Recife foram 157.181 sufrágios, mais de 18% do total de votos válidos para deputado estadual! Nada a ver com a irresponsabilidade paulista de votar em Tiririca. O voto daqui foi o reconhecimento ao trabalho sério e eficaz de uma servidora pública que atua na complexa e perigosa área da criminalidade.

Então votei em cinco de uma vez.

Oxente, em cinco? Exato. Confirmei na urna eletrônica o número 50.180: Juntas PSOL.  Apareceu o retrato de Jô Cavalcanti. Quem são as Juntas? Além de Jô, vendedora ambulante, estas quatro: Carol Vergolino, Robeyoncê Lima, Kátia Cunha e Joelma Carla. Cada uma com sua profissão. De advogada à uma estudante. Caramba, Frassales, você está brincando! Não. Falo sério. Jô Cavalcanti obteve 39.175 votos, 27º lugar numa bancada de 49 deputados estaduais em Pernambuco. Só no Recife obteve a 5ª maior votação (20.672 votos), mais de 30 mil na Região Metropolitana. Houve significativos votos, também, em Caruaru, Angelim, Belo Jardim e até no sertão de Serra Talhada.

A lei permite esse tipo de arranjo coletivo, muito embora só figure na urna um nome. Para todos os efeitos legais, portanto, só vale a eleição do candidato inscrito. O restante é um pacto informal entre as componentes do coletivo. As Juntas anunciam montar um esquema de atuação coordenada, com divisão de tarefas, discussão prévia dos temas a serem levados à Assembleia Legislativa etc. etc. E da remuneração, claro.

Isso vai dar certo?

Só Deus sabe. Não se trata de novidade aqui em Pernambuco. Vi na mídia que experiências semelhantes ocorreram em vários estados. Com sucesso, porém, apenas aqui, em São Paulo e Minas Gerais. Aderi à novidade. Paguei para ver. E estou muito feliz em verificar que brotam iniciativas práticas de exercício de democracia participativa. Quem sabe, seja esse um dos caminhos para contornar o problema da falta de representatividade do poder legislativo brasileiro em todos os níveis.

P S – Se Gobira entrar num esquema desse tipo, talvez, tenha sucesso na próxima eleição…

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