Como sobreviver com 376 reais?

A COLUNA DE JOSÉ ANTÔNIO DE ALBUQUERQUE

Qual o tamanho das desigualdades/disparidades nos nossos “brasis”? Por que em um ano aumentou em quase 2 milhões o número de brasileiros em situação de pobreza?

Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) identifica o quanto permanece desigual a distribuição de renda no Brasil. Na média nacional, os mais ricos chegam a receber 17,6 vezes mais que os mais pobres. Na divisão por capitais, essa diferença chega a 34,3 vezes, como em Salvador.

Segundo o IBGE, enquanto o rendimento médio mensal dos mais ricos em 2017 foi de R$ 6.629, para os mais pobres foi de R$ 376. Grupo dos 10% mais ricos concentra 43,1% da renda do país.

A Região Nordeste é que apresenta a maior desigualdade nesta comparação. Nos estados nordestinos, os 10% mais ricos ganhavam cerca de 20,6 vezes mais que os 40% mais pobres no ano passado.

Imaginemos no Nordeste a situação da Paraíba, como sendo um dos estados mais pobres desta região e no nosso estado, por exemplo, o município de Cajazeiras ou mesmo Carrapateira ou Bom Jesus, onde grande parte da fonte de renda de seu povo é oriunda de aposentadorias rurais, seguro safra, seguro pesca e do Bolsa Família.

Quem conhece a periferia de Cajazeiras tem identificado o quanto às famílias têm carência de alimentos, saúde, segurança e condição de moradia. O IBGE aponta que os mais pobres têm um rendimento mensal de R$376,00. Este número não representa apenas o estado de pobreza, mas sim de quase extrema miséria.

Em seguida, vem a Região Norte, com uma diferença de 18,4 vezes, o Centro-Oeste, com uma diferença de 16,3 vezes, o Sudeste, com 11,4 vezes. A menor desigualdade foi observada na Região Sul, onde os mais ricos ganhavam cerca de 11,4 vezes mais que os mais pobres.

Segundo o IBGE, o rendimento médio mensal (incluindo, além da renda proveniente do trabalho, os rendimentos de aposentadoria, pensão, aluguel, programas sociais etc) per capita domiciliar em 2017 foi de R$ 6.629 para a parcela que representa os 10% dos brasileiros mais ricos. Já entre a parcela dos 40% mais pobres, o rendimento médio, repito foi de apenas R$ 376. Como sobreviver com esta quantia de recursos?

A falta de emprego e oportunidades outras estariam sendo as causas para tanta violência? O que é um problema mais grave que vejo é que o derivativo, principalmente entre os mais jovens, tem sido o caminho das drogas, não só do uso, mas principalmente a utilização deste grande número de desocupados pelos traficantes para se tornarem repassadores de drogas.

Pelos estudos globais realizados pelo IBGE [essa desigualdade na concentração de renda] atrapalha outros aspectos da vida: gera inevitavelmente, altos níveis de violência.

Veja abaixo como era a origem da fonte do rendimento médio de cada região em 2017, segundo o IBGE:

  • Brasil: 73,8% de trabalho, 19,4% de aposentadoria e pensão e 6,9% de outras fontes
  • Norte: 77,1% de trabalho, 15% de aposentadoria e pensão e 7,8% de outras fontes
  • Nordeste: 67,4% de trabalho, 23,8% de aposentadoria e pensão e 8,8% de outras fontes
  • Sudeste: 75% de trabalho, 18,6% de aposentadoria e pensão e 6,4% de outras fontes
  • Sul: 73,3% de trabalho, 20,4% de aposentadoria e pensão e 6,3% de outras fontes
  • Centro-Oeste: 77,8% de trabalho, 15,7% de aposentadoria e pensão e 6,5% de outras fontes.

Aos olharmos estes números observamos que a região nordeste é a que tem o maior índice de renda proveniente de aposentadoria, provavelmente, a de origem rural.

Como diminuir estas disparidades regionais e os índices de pobreza em nosso país? Este será mais um desafio para o próximo presidente do Brasil, que tem afirmado que com o combate a corrupção vai ter recursos para diminuir a miséria no Brasil.

Estamos na torcida.

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