Como se perde uma eleição

A COLUNA DE SAULO PÉRICLES BROCOS PIRES FERREIRA

Estamos no limiar de uma das mais decisivas eleições da nossa história. Depois de sucessivas crises, até mesmo existenciais, que assolaram nosso país e redundaram nessa crise financeira, por essas eleições se revelou passional. Se vota muito por amor e ódio. A Direita, que nunca, desde os tempos dos generais, nunca tinha emplacado um candidato viável, tem uma chance real de vencer e podendo ser no primeiro turno.

Quase todo mundo, pelo menos os mais esclarecidos, sabem que Lula sempre foi maior do que o PT, que desde que eu o conheci em seus primórdios, quando se fazia um comício aqui em Cajazeiras, não se convidava muita gente para subir no palanque porquê, se fosse muita gente, ia escassear demais a plateia de (eram bem mais de meia dúzia) gatos pingados, embora seu candidato a presidente sempre teve maioria folgada em nossa cidade, e região, na última vez quase de 80%. Isso porque, e não sou eu que o diz, mas li de um texto de Vargas Llosa, podia ser de esquerda mas governava sem obedecer aos rígidos padrões que a esquerda adotava, ou seja, eu previa que haveria uma guerra civil depois de eleição de Lula, e essa não se concretizou, muito pelo contrário, os ricos ficaram mais ricos, e os pobres um pouco menos pobres; era o pessoal da direita ganhando dinheiro (muitos se locupletando) e falando mal.

Terminou seu governo tendo o maior elogio que algum político do Brasil teve em toda a nossa História, dito por Obama: “ele é o cara, o político mais popular do Ocidente”, nem Getúlio (que na minha opinião “era o cara” de verdade); todos os outros, de certa forma o imitaram, para bem ou para mal, mas por trás de Lula, havia “a igrejinha” do PT”: auto suficiente, autoritária e daquele jeito, “eu estou certo e o mundo está errado”, e como todo político, mesmo na prisão, até aqui em Cajazeiras, não quer ter sombra: deixou que se escolhesse; ele mesmo já tinha escolhido outra nulidade, Dilma, e tirou da lapela do PT, sem quadros que sequer chegassem aos pés de sua liderança.

Voltando a Cajazeiras: Carlos Antônio, mesmo tendo entre seus aliados, nomes como José Aldemir, Léa, ou Marcos Barros, testados nas urnas, tirou da lapela Marinho, que perdeu para um médico recém-formado, que depois renunciou. Assim mesmo fez o PT, tendo como apoiar, Ciro Gomes, um Cristovam Buarque (educação em tempo integral), ou mesmo Marina Silva, veio com um candidato puro-sangue das hostes petistas, e que coloca como vice, ao invés de um incompetente como Temer, outra radical, envolvida com movimentos de minorias, então se insurge um candidato, sem nenhuma experiência administrativa, que é contra tudo isso que está aí, e o povo apavorado, vai para  ele.

Depois, tem o episódio do atentado, que fez com que o candidato não precisasse comparecer a nenhum debate, e virasse o coitadinho, que antes era Lula (todo mundo roubou, e porque só o nosso está preso?), a facada foi na candidatura petista, além das marchas das minorias; o propósito é vencer ou perder eleições? Se fosse perder, não podia se ter feito tanto para alcançar o objetivo…

Assim, vamos cair, se é que não já caímos num buraco negro, em que se tiver um segundo turno, vamos, com o disse Leonel Brizola, há mais de vinte anos “escolher entre o Cão e o coisa ruim”.

P.S. – Dedico essas à maravilhosa personalidade de nossa cidade que nos deixa mais pobres, o espirituoso Ademar Gomes, o Demar de Doca, que entre outras pérolas, falou na rádio quando o prefeito de Carrapateira chorava de barriga cheia: “Parece que meu amigo não quer ser prefeito, assim renuncie, e se ninguém quiser, eu, Demar de Doca quero essa Prefeitura”. Ainda falta, um livro para os “causas” dos filhos de Seu Doca e de Dona Maria…

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