Como o tempo passa

A COLUNA DE RAFAEL HOLANDA

Nossa… Como o tempo passa, com o abrir e fechar dos olhos vamos perdendo as forças, e nos sentindo desprotegidos buscamos nos familiares a asa da proteção.

Nossa… Parece que foi ontem que usava as minhas calças apertadas, e dançava o ritmo frenético da minha época, e hoje procuramos de forma lenta a ajuda de uma bengala para atravessar o salão onde ontem eu era o rei.

De repente a natureza por maldade nos transforma em museu vivo, e desmorona o sorriso da juventude, fazendo com que as alegrias antigas sejam peça do momento, e que tudo em nosso pensamento seja apenas o passado.

As noites se tornam longas com o sono reparador menor ainda, e faz do nosso cérebro um espelho a passar o que éramos e o que não somos.

O ouvir se torna distante a visão pior, já não enxergamos as coisas básicas que nos cercam e em muitos momentos deixamos de reparar o que se passa em nós mesmos.

Surge desilusão do que procura na certeza, do nunca encontrar, e com esta espera tende-se a depressão e o medo da solidão mesmo tendo sempre alguém ao seu lado.

Nossa… Como todo muda, até as cores já não são mais belas, e a banda que passa pela rua, a tocar musicas do passado nos leva a chorar as lágrimas presas em nosso coração.

Nossa… Como treme as nossas mãos e eu que na juventude era campeão em levantamento de copo e enfiar linha em agulha busco a cada momento não demorar mais de uma hora para levar o copo a minha boca.

Já não buscamos a conversa prolongada porque o nosso questionário se torna resumido e dizer necessário, e o preciso não sai, e muitas das vezes surge sem sentido.

As distancias se tornam distancias, e os reflexos se perdem com o passar do tempo e cada saída de casa significa um perigo eminente em todos os sentidos.

Inverte-se a coisa e o materialista da juventude se torna irmão na fé, e passa a ser um verdadeiro católico que nunca foi para diminuir as penas que são grandes e suficientes para dá uma volta na terra.

Passa-se de pai para ser avô, diminui-se o direito de homem para se tornar um verdadeiro pajem de todas as ações do seu neto, reviver coisas que não fez na sua juventude para com os filhos por absoluta falta de tempo e com o neto, o tempo sobra.

E o tempo passa a coluna pelo seu cansaço se curva de tal maneira que diminuímos de tamanho, os pés encolhem e o sapato se torna frouxo, os dentes caem e a grossa alimentação é substituída pela sopa rara e a papa.

Quando você leva sorte de chegar ao final da linha com uma família ao seu lado tudo pode correr de maneira sincera, mas se pegar os descendentes de Judas com certeza se tornará um anônimo.

Não se aborreça e nem se incomode, pois a vida é uma escada com sua subida e descida, os que riem de suas quedas com certeza terão quedas maiores, pois os filhos são reflexos dos pais.

Peça de forma diária que Deus na sua mais profunda sabedoria lhe dê a esperança de que todos os dias seja na realidade um dia de boa vida, não espere que Ele venha entregar a papa necessária para sobrevivência.

Chega o momento que a própria brisa dá a impressão de grande frio, e voltamos a infância com grandes agasalhos que nos deixam murchos e encolhidos.

E, o tempo passa e com ele as nossas dores e mais adiante um punhado de terra e algumas flores, um triste jaz e nada mais.

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