Cerveja pilsen de mandioca

A COLUNA DE FRANCISCO SALES CARTAXO ROLIM

Mandioca e macaxeira já andavam em alta na dieta do brasileiro, mesmo antes daquele ministro da cultura pagar uma tapioca com cartão-corporativo. Lembram quando ele foi objeto de enorme gozação? O deboche serviu para chamar a atenção da galera para a expansão do hábito antigo de comer tapioca, herdado de nossos antepassados. A tapioca saiu da cozinha da casa-grande e da tapera do morador da periferia e adquiriu ares de artigo de mercado, valorizado pelo apego modernoso à produção artesanal. Sentou praça em restaurantes, lanchonetes e cafés de grandes centros urbanos. Antes, a tapioca já estagiara em pontos turísticos de vários recantos do Nordeste, com destaque para o Ceará. Expandiu-se. Diversificou. Hoje é guloseima disputada, embora sem perder sua marca pop.

Agora embutiram a mandioca na cerveja.

A Ambev lançou em setembro no mercado pernambucano a Nossa. Cerveja nossa? Da Ambev, claro, a gigante da bebida fermentada, com suas 20 e tantas marcas de cervejas espalhadas pelo Brasil. É nossa, dizem, por ser fabricada na Região Metropolitana do Recife, município de Igarassu, a fábrica localizada em terras de antigo engenho de cana de açúcar, à direita de BR 101, na rota Recife-João Pessoa, pouco antes da montadora de automóvel da Fiat, produtora de modelos de Jeep. No processo de fabricação, ao lado da universal cevada, matéria prima essencial, entra o amido da mandioca como ingrediente complementar. Do ponto de vista tecnológico, portanto, nenhuma novidade, assegura meu consultou para assuntos de destilados e fermentados. O ganho é financeiro refletido na diminuição do custo de produção, pois o componente derivado da mandioca, usado em grande quantidade, é mais barato do que, por exemplo, o amido de milho.  Daí porque a cerveja Nossa pode ser vendida a preço acessível.

E a mandioca, vem de onde?

Vem dos confins do Araripe, na divisa com o Piauí, a mais de 600 quilômetros de Igarassu. Ali, a Ambev selecionou seis famílias de produtores tradicionais do tubérculo e processa a matéria prima numa fábrica de fécula existente em Araripina. Essa unidade industrial, que estava ociosa, pode produzir mais de 500 toneladas/dia de matéria prima, segundo informou um preposto da Ambev. Isso já começa a ter impacto na economia local. Estimativas feitas indicam que a área plantada com mandioca deve ser ampliada, de modo significativo, incorporando-se mais algumas centenas de hectares, nos próximos anos, gerando empregos diretos na agricultura e na fábrica de fécula. Isto, claro, se a Nossa cair no gosto do consumidor de Pernambuco.

Oxente, só do pernambucano?

Esta é a intenção do fabricante. Não sei por que razão a Ambev delimitou o mercado ao território de Pernambuco, onde prevê a colocação da nova cerveja através de 10 mil pontos de venda, interior a dentro, até o final de 2018. Vai ser difícil controlar, se é mesmo o que deseja a Ambev. Ora, a Nossa é mais barata. Nada a ver com as sofisticadas bebidas artesanais. Por isso, não está à venda em lugares estilizados. É autêntica cerveja do povão.

– Mais barata? Ora, de Salgueiro a Cajazeiras é um pulo… me disse, cheio de entusiasmo, ao telefone, um cajazeirense bebedor de cerveja, louco para experimentar a loura de rótulo azul, e acrescentou com malícia:

– Mas homi, eu até acho que o Bar do Dércioimportou umas grades da Nossa

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *