Ato de confissão

A COLUNA DE RAFAEL HOLANDA

Quando meu filho nasceu, portador de excepcionalidade, meu primeiro pensamento em comum acordo com uma parteira, foi trocar por outro que nascesse no mesmo dia, contanto que fosse normal.

Naquele dia na ala de gestante havia seis senhoras que daria parto, e com certeza um destes seria meu filho. Deus ouviu, e as seis senhoras tiveram crianças do sexo feminino.

Só então compreendi que o doente desta historia, na realidade era eu, e que necessitaria de enfrentar a escola do sofrimento,para trazer ao meu coração a arte de receber sem reclamar. 

Permanecemos rompidos por um ano, nunca e em momento algum tive interesse em participar de sua evolução, no dia do seu aniversario a pedido da mulher cheguei mais cedo. 

Então resolvi passar por seu quarto, ele de busco virou, encarou com os olhos de perdão e disse: papá.

Meu filho naquele momento foi capaz de me colocar de joelhos, e com os olhos em cachoeiras de lágrimas; pedi ao Senhor da vida que implantasse alegria no meu coração amargurado, colocando em minhas mãos o grande amor que fingi não ter, mas consegui enxergar.

O meu filho apesar do seu mundo limitado era na realidade mais feliz em sua pequena palhoça, do que as minhas filhas nos seus palácios, era o cheiro da madeira nobre do Líbano, da essência maior que batia em carinho qualquer que fosse aquele que estirasse as mãos a um abraço.

E hoje numa alegria sem igual eu vivo a certeza que a felicidade não necessita de um traje a rigor para poder mostrar a beleza material, pois em gestos simples e não emitindo palavras seu vocabulário me encanta e faz de mim o que de belo e bom possa existir em minha caminhada. 

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *