Alvíssaras em Cajazeiras

A COLUNA DE FRANCISCO SALES CARTAXO ROLIM

Escrevo estas linhas em Cajazeiras. Vim me incorporar a um grupo de pessoas interessadas em implantar a Academia Cajazeirense de Artes e Letras (ACAL), entidade originada em 2000, quando das comemorações do Bicentenário de nascimento do padre Inácio de Sousa Rolim. Na época, Edme Tavares, como um dos coordenadores daquele importante evento histórico-cultural, deu o pontapé inicial. Como assim? Com toda a pompa, foi anunciada a criação daquela entidade, em sessão pública no auditório da antiga Escola Técnica, hoje Instituto Federal da Paraíba/campus de Cajazeiras. Na ocasião, este cronista foi nomeado secretário provisório da reunião, portanto, responsável pela feitura da ata. Passaram-se os anos e a Academia não funcionou, a ata não foi registrada em cartório e terminou por desaparecer. Sumiu. Perdeu-se.

O fato é que, por um motivo ou outro, nunca houve a instalação da Academia. Algumas tentativas ocorreram nesses 18 anos, porém, sem continuidade. Agora, até que enfim, deve funcionar, como já é do conhecimento público. Foi tomada a providência burocrática formal de criação, ou seja, o registro em cartório. Ufa, então agora vai…

Esses dias que passo em Cajazeiras, me proporcionaram pequenas satisfações que ajudam a tornar a velhice mais agradável. A primeira alegria chega antes do sol nascer.  Para mim, é um luxo acordar com um fundo musical extraordinário: o canto espalhafatoso dos bem-te-vis, o triste chamado da rolinha, a estridência da casaca-de-couro, o quase pio do sabiá, de permeio com outros sons de aves menores que esvoaçam em árvores, nos postes e fios do trecho da rua Barão do Rio Branco, onde nasci. Antes, já dormira com o bendito barulho da água na biqueira e estrondo do trovão!

Um luxo!

Luxo também é a caminhar no balde do Açude Grande, quase cheio, neste começo do inverno. Mesmo coberto de baronesa e capim, a visão matinal daquela refrescante área urbana funciona como um tônico. Importante, sobretudo, na visão de quem mora distante daqui, como eu. Por isso, sinto-me privilegiado, ao caminhar pra lá e pra cá, desde a barragem construída, na seca de 1915, até a outra ponta, no Leblon, ao lado do casarão do major Epifânio Sobreira, hoje sede da secretaria municipal de cultura e turismo de Cajazeiras.

Outra alegria vivi na FAFIC.

Minha ida à FAFIC nada tinha a ver com às atividades daquela pioneira instituição de ensino. Naquele local, frequentei o antigo Ginásio Salesiano Padre Rolim. Entrar no prédio onde estudei, durante quatro anos, foi um instante de emoção e nostalgia quase intraduzível. Um pedaço de minha adolescência vivi ali. Em sala de aula, na igreja, nos pátios, em campos de futebol. A visita que fiz na terça-feira passada puxou minha saudade para perto, mesmo sendo, hoje, muito diferente o ambiente vivido pelo menino nos meados do século XX. Pouco importa.

A alegria assumiu natureza distinta ao ver operários trabalhando na montagem dos painéis destinados à produção de energia solar. Isso mesmo. A FAFIC realiza investimentos na modernização elétrica, com o objetivo de reduzir custos pela substituição da energia de origem hidráulica, gerada lá fora, pela produção de energia solar. Uma fonte de economia e, ao mesmo tempo, um exemplo a ser imitado em toda a região sertaneja. Essa prática, aliás, está se generalizando no sertão, graças, em boa medida, e empresa de Cajazeiras que entrou nesse ramo.

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