Ainda a Academia Cajazeirense de Letras

A COLUNA DE FRANCISCO SALES CARTAXO ROLIM

Dia desses, escrevi sobre a Academia Cajazeirense de Artes e Letras (ACAL), ressaltando a necessidade de escolher-se com cuidado o Patrono. Por quê? Porque o Patrono, além do requisito de ter contribuído, no passado, para o engrandecimento das artes e das letras de nossa terra, deve dar ensejo a que se conheça melhor nossa história, através de sua biografia. Ora, cada membro da Academia, ao elaborar o perfil biográfico do Patrono, terá que estudar o contexto no qual ele atuou. E isso, por si mesmo, é uma forma de reescrever parte do nosso passado remoto ou recente. Daí a importância do Patrono.

Lembrei antes, também, que é usual fixar-se em 40 o número de cadeiras das Academias, cultivando-se tradição universal, copiada da pioneira Academia Francesa. Em geral, as Academias selecionam personalidades do passado como uma forma de vivificar aspectos históricos relevantes da cultura da região, representada pela vida, atuação e obra dos Patronos. Enalteci a diversidade cultural de Cajazeiras, como um ponto positivo que favorece a criação de entidade com a amplitude da ACAL, da maneira como está sendo concebida, penso, apropriada para incorporar a riqueza das artes cênicas, a música e tudo o mais nesse campo.

Esse assunto permanece em aberto, pelo que tenho notado de conversas com outros interessados. Ele envolve muitos ângulos. Por isso, não se pode enxergar como um pacote fechado e completo tudo o que se fala acerca desse tema. Expresso opiniões pessoais com a intenção de ampliar o debate. Imagino que o estágio atual das articulações deve ganhar mais vigor após reunião, prevista para janeiro ou começo de fevereiro, conforme sugestão do secretário de Cultura da prefeitura de Cajazeiras, Ubiratan de Assis. Até lá, convém formular uma proposta do formato da Academia, contemplando inclusive nomes dos Patronos, completando-se as indicações provisórias, feitas quando dos encontros realizados no antigo Casarão do major Epifânio Sobreira.

E os membros da Academia?

Quem desejar ocupar uma das cadeiras da ACAL deve preparar-se para, no mínimo, escrever o perfil biográfico do Patrono escolhido. A ideia prevalecente até aqui é a de que para a instalação da Academia não é necessário o preenchimento de todos os 40 lugares. De início, basta apenas um número razoável de membros fundadores. Com o tempo, às demais cadeiras vão sendo ocupadas. Essa é a praxe. Assim aconteceu com a maioria, senão todas, as entidades congêneres. Um exemplo notável deu-se na Academia Paraibana de Letras. A cadeira nº 16, cujo Patrono é Francisco Antônio Carneiro da Cunha, indicado por Coriolano de Medeiros. Por feliz coincidência, o primeiro ocupante da cadeira nº 16 foi nosso ilustre conterrâneo, o historiador Deusdedit Leitão. Sabe quando?  Em 1978, ou seja, 37 anos após a instalação da APL, em 1941! O exemplo não poderia ser mais esclarecedor da ocupação paulatina das cadeiras da Academia.

Passadas as comemorações do Natal e as festas de Ano Novo, além da posse dos eleitos na última eleição, tenho a convicção de que serão tomadas as decisões acerca da Academia Cajazeirense de Artes e Letras (ACAL), incluindo a fixação de calendário dos eventos, que contemple todos os passos até sua instalação formal. Quem sabe, no primeiro semestre de 2019.

Aproveito para desejar aos leitores, votos de Feliz Natal e Próspero Ano Novo.

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