ACAL: uma construção coletiva

A COLUNA DE FRANCISCO SALES CARTAXO ROLIM

A Academia Cajazeirense de Artes e Letras vem sendo formada mediante trabalho em equipe. Se não prosperou logo, depois do pontapé inicial em 2000, foi devido a razões que vem ao caso repetir agora. Mas, a partir do momento em que um grupo de cajazeirenses decidiu retomar a iniciativa de Edme Tavares, todas as providências são levadas a cabo de forma colegiada. Foi assim, por exemplo, em maio de 2018, no encontro realizado, em Cajazeiras, na secretaria municipal de cultura e turismo. Reunião pública, divulgada na mídia local, amplamente. Na ocasião, muitos dos nomes de Patronos foram sugeridos de forma aberta, espontânea. Nem todos chegaram ao fim de linha ao passaram por um processo de seleção, com critérios que, entre outros objetivos, visaram contemplar as áreas mais significativas no amplo espectro cultural que viceja em nossa terra. Não foram dois ou três iluminados ou donos da cultura que decidiram. Foram muitos, considerando o universo restrito que, lamentavelmente, se liga nesses assuntos. Não podia ser diferente. A construção coletiva suplanta até mesmo nossas vaidades individuais.

A ACAL pode ser um marco em nossa história cultural.

No Espaço Zé do Norte, dia 17, bom número de interessados tomou conhecimento dos passos dados até ali para tirar do simples desejo a Academia Cajazeirense de Artes e Letras. A seleta assembleia discutiu e escolheu os 40 nomes que formam o conjunto dos Patronos, elegeu a primeira diretoria, aprovou indicações de futuros membros da ACAL, além de vincular a maioria destes ao Patrono de sua preferência. As dúvidas remanescentes foram dirimidas esta semana. Tanto é que no dia 22 já se concluíra o casamento entre Patronos e possíveis ocupantes das 40 cadeiras. E a comissão de redação final do Estatuto da ACAL já cumpriu sua nobre tarefa.

Então, está tudo resolvido?

Calma. Não é assim. Está tudo encaminhado. Novas tarefas acham-se em andamento. Até o final de abril, os 40 membros-fundadores, por enquanto indicados, deverão cumprir sua primeira obrigação individual: traçar um perfil biográfico do seu Patrono. Alguns terão mais facilidade porque já vinham pesquisando, independente da Academia. Basta-lhes, nesta etapa, tão somente preparar o texto. Outros, até por não estarem habituados a esse tipo de trabalho, necessitam realizar um esforço maior de pesquisa, estudo e escrita. Aqui também a construção coletiva se faz presente, disponibilizando-se estudos existentes, indicando fontes ou trocando ideias. Do resultado desses esforços pessoais, vai depender o sucesso inicial da ACAL. Sucesso, maior ou menor, a ser aferido pelo número de postulantes que tiverem seus perfis biográficos considerados adequados à grandeza dos Patronos.

A participação do futuro membro não se esgota, todavia, na nobre tarefa de escrever e entregar o perfil biográfico de seu Patrono. Até porque o exigido, agora, é apenas um resumo da vida, obra e contribuição do perfilado. A dinâmica do funcionamento da ACAL indicará o rumo dessa importante entidade cultural. Mais uma vez aplicaremos o método da construção coletiva. Importa ter presente, sempre, que a Academia não é espaço apenas para alimentar nossas individualidades. A ACAL é sobretudo instrumento para registrar, difundir, preservar e estimular a cultura e as realizações artísticas e literárias da cidade de Cajazeiras e regiões circunvizinhas, como estabelece em seus objetivos nosso Estatuto Social.

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