A ponte entre a vida e a morte

A COLUNA DE RAFAEL HOLANDA

O elefante ao envelhecer, sente o desejo de retornar ao seu lugar de origem escolhendo o seu canto com a finalidade de retornar ao pó quem veio do pó.

A águia ao sentir que cumpriu com sua caminhada pela vida, voa ao pico mais alto de uma montanha, enfrenta chuva e fome se curva e retorna ao pó o que veio do pó.

Cada jornada da vida tem sua história, cada riso se perde na tristeza, cada sonho se emudece num canto da prancheta programada em verso ou palavras.

Muitos passam por estradas e deixam exemplos, que são transmitidos de forma perfeita para que outros saibam trilhar pelos mesmos caminhos e imitando a mesma história.

Outros são destituídos de grandiosidade e se perdem na memória do tempo mais rápido que um piscar dos olhos, outros mesmo vencidos pelo ódio, ainda forçosamente são lembrados.

O pior de tudo que este painel acontece, quando sentimos atingidos por uma patologia que não nos conduz a bandeira da esperança, e nem nos leva a uma saúde perfeita.

Costumamos nos recolher e neste espaço, buscamos fazer uma retrospectiva semelhante as que fazem no fim do ano, para somar as nossas virtudes e pedir perdão pelos erros.

A dignidade do homem é aceitar que a vida na sua forma cíclica nos transforme em formosos rapazes e nos conduza de forma lenta a descida dos degraus da vida com a velhice.

Devemos após certo momento ir buscar dentro das nossas caixas que acumulam atos de beleza misturada a ofensas que plantamos, para que possamos reconhecer e pedir clemência.

Nada deste mundo nos acompanhará na grande viagem do retorno a Deus, nada tirará da essência do espírito a cor ou mancha pecaminosa, que acreditamos terem ficado junto ao corpo.

Temos a certeza que o fim de todas as coisas se perde em terra, para nascer na eternidade, onde a beleza da alma se rejuvenesce ao se expor de forma singela a luminosidade celestial.

Sem que haja a verdadeira maneira de saber chegar aonde quer, muitos descem de seus sonhos e se perdem por caminhos desencontrados, muitos destroem os seus melhores pensamentos, antes de tirarem da gaveta.

O evangelho da vida nos ensina que o outro mundo é apenas um espelho de nossa vida, nada pode ser modificado, as bondades daqui tem a mesma força em outra dimensão.

Vivam a vida, cantem a beleza do servir, ajudem em locais que a escuridão quer maltratar, não deixem de glorificar o que existe de bom, pois a morte é a suprema festa na estrada para a liberdade.

Não há morte, pois o que chamamos de tragédia o Mestre chama de retorno, e como o homem passa do sonho para vigília, assim ele vai desta vida para próxima.

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