A persistência da crise

A COLUNA DE SAULO PÉRICLES BROCOS PIRES FERREIRA

Dizem que o país está em recessão, quando seu vizinho perde o emprego, e está em depressão, seria quando quem perde o emprego é você. No meu caso não restam dúvidas, pois desde dois anos para cá, eu perdi três. Mas de qualquer maneira, o que eu construí, herdei e também graças à engenharia (existe engenheiro liso, não existe engenheiro quebrado), estou conseguindo sobreviver, até com alguma perspectiva.

Agora eu tenho conversado com amigos e o que eu ouço deles é choro, alguns dizendo que a crise é passageira, outros, e aí vem o meu medo, dizendo que com o novo governo, ela vai se aprofundar, resta-me perguntar para onde?

Nem nas secas dos anos passados, que sempre existiram, até antes de eu ser nascido, tem uma história familiar que minha bisavó, D. Sinhazinha Matos viu gente cozinhando sola de sapato para comer, enquanto Tantinho Cartaxo falava que ouvia dos mais velhos que tinha gente que botava na panela couro de tamborete, mas os tempos eram outros, não haviam as estradas, tanto que podem levar gente ou trazer de comida, o que e esses tempos que traumatizaram tanto nossos ancestrais j á foram em grande parte superados, que as novas gerações nem se dão ao cuidado de lembrar.

Mas não obstante tudo isso, por diversas razões tem muita gente temendo, e não deixo de dar uma certa razão a eles, que existe uma crise, ela é séria, e pouca gente vê com otimismo, os dias que estão a chegar.

Primeiramente, eu conversei com um amigo que toma conta de um hotel na nossa cidade, e ele me falou que não recebe um só hóspede há quinze dias; outra amiga cabeleireira, eu a encontrei cinco horas indo para casa, perguntei porque sair tão cedo e ela me disse que era por falta de clientes, que antes ficava até sete, oito da noite, e que ultimamente ninguém aparecia depois das cinco da tarde.

Noutra ocasião, soube que um importante grupo econômico daqui, estava em compasso de espera para abrir um Shopping, até que a situação ficasse mais clara, em mesmo, que entre outras coisas trabalho com estruturas de metal, que é o substituto da madeira na construção civil e fazia quatro cobertas por mês, caiu por conta da crise para uma, depois para zero, e nesse ano, aumentou para uma até duas. Agora caiu para zero novamente.

Então vamos tentar arrematar o que estou escrevendo. Os vencedores dessa última eleição foram votados maciçamente pelos eleitores do Sul-Sudeste; enquanto o Nordeste votou nos perdedores, assim, os que venceram podem ser cobrados pelos votos dos que não votaram? Claro que não, então esses não têm nenhum compromisso. Pode ser, que aconteça o que aconteceu muitas vezes; primeiro acudirem as regiões que o sufragaram, para depois, e se restar, mandar alguma esmola para cá. Pode não ser nem provável, mas é perfeitamente possível.

Fernando Henrique Cardoso, ficou, juntamente com os baianos e sulistas, a protelar até o possível a Transposição do São Francisco, com uns estudos de impacto ambiental que nunca terminaram em seu governo. O todo poderoso futuro Ministro da Economia, Paulo Guedes, disse numa entrevista que Lula tirou 10 bilhões de reais da Faria Lima (o centro econômico da capital paulista), deixando lá outros 190 bilhões e colocou os pobres no mercado de consumo com o bolsa-família, da mesma forma que se colocou aqui, pode se tirar. Aí a gente vai perder o que ganhou nos últimos anos.

Nossa cidade passou mais de 30 anos com 45.000 habitantes, chegou aos possíveis 60.000 habitantes, em parte por causa dos programas sociais, que se cassados, podemos mergulhar numa crise sem precedentes no nosso passado recente, em parte dependemos “também” desses programas, que podem ser mantidos que espero, diminuídos, o que é perfeitamente possível, o extintos.

Então os que aqui detêm um pouco de reserva financeira, fica à espera do que vai acontecer. Não vejo o futuro próximo com otimismo, mas teria a mesma impressão se o outro lado tivesse ganhado. Mas vamos acreditar e rezar.

P.S. – Dedico essas ao meu primo carioca João Batista Braga, que leu minhas mal traçadas lá no Rio de Janeiro. Aqui a gente também escreve, Batista, e tem até quem componha versos como você. Estou lendo, aos poucos. o livro de Edna Marlowa Cartaxo Braga sobre Roslida Cartaxo – uma beleza, depois eu comento com mais calma.

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