A difícil escolha

A COLUNA DE SAULO PÉRICLES BROCOS PIRES FERREIRA

Image by © Jim Zuckerman/Corbis

A onda quebrou, os melhores perderam. Durante todos os debates, vimos Ciro, outros decepcionantes, como o próprio Alckmin e o delirante Meirelles, Marina, que segundo se comentou virou Submarina, e algumas agradáveis surpresas como Amoedo e Boulos, com pontos e contrapontos muito elucidativos, ares novos no nosso meio carcomido cenário político.

Mas a questão é que esses não chegaram ao segundo turno, e nossa população vai ter que novamente encarar as umas para escolher entre um filhote (na realidade, Haddad, ou Andrade, não conseguiu se desvencilhar da pecha de filhote de Lula), esse, apesar de ter inclusive sido ministro e prefeito de São Paulo, foi mais pela indicação partidária com urna liderança incontestavelmente poderosa, do que por suas próprias  qualidades.

Do outro lado, a Esfinge, como na sua antecessora grega, vem com a mesma frase para nós, – “Decifra-
me ou te devoro”, que nunca o vimos em um cargo de comando nesse país, e eu sempre o considerei – e considero, um excelente contraponto a os abusos do PT, mas se Bolsonaro será a pessoa que vai tirar o Brasil da enorme crise que ele se encontra, nem eu sei, e tenho grandes dúvidas que alguém o saiba, o que sabemos: ele é (ou diz ser) contra essa política que há décadas nos governa, com suas qualidades e principalmente com suas enormes limitações. Pesada decisão que nosso povo vai ter que tornar.

Ainda temos uma decisão a fazer, agora, pelo andar da carruagem, corno também corno mostram as pesquisas (que Tancredo nunca acreditou nelas, principalmente quando lhe favoreciam), e esfinge parece ter ampla maioria.

Mas como dizia Tancredo Neves, que conseguiu fazer a transição do militarismo para essa democracia de pé torto (com sua morte, o país foi entregue ao lado mais fisiológico da Arena, que depois se chamou de PMDB), quando a onda vai quebrar, não se deve contrapor a ela, mas esperar ela quebrar e depois analisar a espuma.

Então, o que resta é a gente se posicionar, cada qual com sua orientação, e depositar na uma a escolha menos ruim, e depois esperar o que vai suceder no nosso imenso país, que desde a reeleição de Dilma, ficou polarizado, tanto pela tais ideologias que nem sei o que são hoje esquerda e direita, (há muito tempo o Primeiro Ministro da Inglaterra, o Trabalhista Tony Blair, já sentenciou, não existe direita nem esquerda, existe é governo bom e ruim), corno também na gegrafia, contrapondo o Sul ao Nordeste, ainda temos uma decisão a fazer, e se submeter ao que vier pela frente, que esperamos, quem gosta de rezar que reze, que o ungido pelas urnas tenha a capacidade de tirar o nosso país desse atoleiro.

Corno vi recentemente, ternos fazer como Ulisses na Odisseia, escolher entre Cila, um monstro devorador de gente, e Carbides, um turbilhão de água, um redemoinho que tragava os barcos. Essa é a escolha que vamos fazer.

Boa sorte: é o que precisamos.

P.S. – Há pouco tempo, três dias atrás, estava acompanhando a Novena de Nossa Senhora de Fátima, e na noite dedicada à Imprensa, não havia ninguém desse seguimento presente na nossa Matriz. O vigário, Antônio Neto, me vendo, me chamou e eu, com pouquíssimos méritos, terminei sendo o representante da classe dos seguidores de Gutemberg (tanto o alemão quanto o Cardoso), e espero não ter decepcionado a classe, e conclamo os jornalistas a frequentarem mais a Igreja, e dedico essa imerecida homenagem a meus parcos e queridos leitores.

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *