40 anos sem Ica

A COLUNA DE SAULO PÉRICLES BROCOS PIRES FERREIRA

Irmãos e irmãs em Cristo. Dia 9 do corrente, fariam 40 anos que Íracles Brocos Pires Ferreira, ou Ica, como era mais conhecida, nos deixou rumo à eternidade.

Na qualidade de filho, assim como todos os descendentes, parentes e amigos, me sinto na responsabilidade de tecer alguns comentários acerca daquela grande mulher que viveu em nossa comunidade. Poderia, como pode, através de seu exemplo de vida, ainda oferecer para nossa cidade e região em que ela viveu, testemunho do seu exemplo, para nossa sociedade tão desprovida de valores, algo que pudéssemos nos espelhar e, assim, evoluir na coletividade, já que ela, apesar do tempo decorrido desde seu falecimento, nos servir de guia para um futuro melhor e mais satisfatório.

Vamos começar pelos seus valores. Ela era neta do primeiro prefeito eleito democraticamente em Cajazeiras, o Coronel Joaquim Matos, que, durante sua administração á frente de nossa edilidade, custeava de seu próprio bolso o que faltasse para completar a folha de funcionários da Prefeitura e outras despesas, ao contrário dos dias de hoje, que, ao ligarmos a televisão ou darmos uma olhada no que é publicado nas redes sociais, ficamos sabendo da contumaz malversação dos recursos do Estado rumo a interesses poucos republicanos, o que se constitui num verdadeiro e monstruoso crime que tira do cidadão comum, que não está associado a esses desvios, o acesso à Saúde, à Educação e à Segurança, que deveriam ser obrigação do Estado.

Ica vivia num meio de valores morais, sociais e cristãos que, decorrido esse período desde que ela nos deixou, se transformaram,em grande parte, em valores imorais, individualistas e anticristãos, em que nossa sociedade se vê como que dentro de um atoleiro sem solução à vista. Daí o fato de que, com o passar do tempo, cada vez mais vai se esvaindo a sua personalidade física e vai se consolidando a imagem de uma espécie de mito regional. Uma coisa é certa: mesmo depois de quatro décadas, Cajazeiras ainda não conseguiu formar outra Ica.

Ela, oriunda da pequena aristocracia sertaneja que aqui se estabeleceu à sombra do famoso Colégio do Padre Rolim, ou como ela mesmo chamava “no terreiro de Mãe Aninha” e tinha como característica marcante o fato de qualquer causa que ela tivesse conhecimento que traria algo de bom para a sua comunidade, ela se juntava à causa de corpo e alma e, por vezes, sua contribuição era decisiva. Isso em qualquer segmento: educação, saúde, artes, comunicação social e, finalmente, a política, a boa política. Isso sem ter qualquer tipo de interesse pessoal: era a causa pela causa.

Então vamos pinçar um pequeno exemplo de sua atuação. No ano de 1976, quando da comemoração do centenário da cidade, o Governo do Estado, cujo governador era o nosso concidadão Ivan Bichara Sobreira, este escolheu para funcionar a Sede do Governo, o Palácio Episcopal. O bispo da época, Dom Zacarias convocou minha mãe, sua amiga de todas as horas, para fazer as honras da casa, ou seja, adequar aquele espaço para receber o governador e sua comitiva. Ela aceitou o encargo e ela mesma, com suas “secretárias”, fez uma limpeza completa no Palácio do Bispo, que desempenhou, a contento, o novo papel a que foi destinado. Eu, estudante de passagem por aqui, perguntei o porquê de tanto esforço de sua parte e ela me respondeu: “É pra Cajazeiras não passar vergonha frente aos nossos visitantes da Capital”. Era assim seu desprendimento.

Sem dúvida que nossa cidade, nesses 40 anos, cresceu em determinadas áreas, a educação superior, por exemplo. Mas é um crescimento setorial e descoordenado.

Assim, mesmo depois de decorridas quatro décadas, ainda assim fica o exemplo e a imagem de Ica a se consolidar na memória de nossa cidade e região.

Assim, na qualidade de descendente agradecido, fico com a enorme responsabilidade de pelo menos tentar continuar sua obra.

Ica vive!!!

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